Diabetes: você precisa ter medo?

Além da genética, o estilo de vida moderno aparece como fator de risco para a doença e está provocando o pré-diabetes. Veja como fugir da estatística que já estima 40 milhões de brasileiros nesse estágio

Texto: Patrícia Affonso

Diabetes: você precisa ter medo? | <i>Crédito: Shutterstock
Diabetes: você precisa ter medo? | Crédito: Shutterstock
É fato: se lá atrás, ao abordar esse assunto, as pessoas se preocupavam apenas com o fator hereditário, hoje, o cenário pede um olhar atento às escolhas que fazemos. “Aspectos genéticos são importantes e podem aumentar a predisposição ao diabetes. No entanto, isoladamente, eles não são determinantes, pois há a importante questão da interação com o meio ambiente”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski (SP). De acordo com Joffre Nogueira Filho (SP), especialista em endocrinologia e nutrologia, o sedentarismo, o excesso de peso e os hábitos alimentares desequilibrados são também responsáveis pelo aumento da glicose no sangue. Quando a glicemia está acima do normal, mas ainda não é alta o sufi ciente para ser considerada como diabetes (veja o gráfico ao lado), ela é intitulada pré-diabetes — o que não deixa de ser um perigo. “Não se reverte o quadro pré, mas conseguimos fazer com que ele não evolua para o diabetes com ajustes na dieta, atividade física e a perda de peso”, diz Joffre. Pesquisas mostraram que diminuir de 5% a 7% o peso corporal ajuda a prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes tipo 2 em 58% dos pré-diabéticos.

POR DENTRO DO MAL
O diabetes é uma doença crônica metabólica que faz com que o corpo tenha dificuldade em manter níveis normais de glicose no sangue por causa de uma deficiência na liberação do hormônio insulina ou uma insensibilidade das células do corpo ao hormônio. No caso do diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta, fazendo com que pouca ou nenhuma insulina seja liberada para o organismo. Essa variação da doença concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos e, geralmente, é diagnosticada na infância. O tipo 2, que corresponde a cerca de 90% dos casos, se manifesta mais frequentemente em adultos. Ele ocorre quando o organismo não consegue utilizar a insulina que produz ou não fabrica insulina sufi ciente para controlar a taxa de glicemia. Esses desajustes podem ter consequências perigosas. “Por causa da inflamação gerada pelos altos níveis de glicose no sangue, as artérias vão sendo lesadas, provocando problemas de circulação que levam a doença renal e vascular periférica (podendo acarretar amputação de membros), infarto agudo do miocárdio problemas de visão, neuropatias, impotência, entre outros males. Além disso, há também riscos agudos ou emergenciais que ocorrem quando a glicemia do paciente sobe demais e atinge níveis que colocam a vida em risco, podendo causar coma”, salienta Alessandra. E o pior é que, muitas vezes, a enfermidade vai se arrastando e evoluindo sem que o paciente perceba.

DIABETES GESTACIONAL, UM CASO À PARTE
O problema aparece depois do segundo trimestre da gravidez e, uma vez diagnosticado, persiste até o fi m. Por quê? A placenta produz diversos hormônios que podem bloquear parcialmente a ação da insulina. Embora normalmente o pâncreas reaja, liberando mais insulina, na futura mamãe é como se a glândula não desse conta do recado — a produção é insuficiente para que o corpo processe o excedente de glicose. Daí, conforme as semanas de gravidez avançam e a placenta cresce, eleva-se o risco de o diabetes surgir. Estão mais propensas à doença as gestantes obesas ou que engordaram muito ao longo da gravidez, as portadoras de ovário policístico e aquelas com histórico de diabetes na família. Também fazem parte desse grupo mulheres cujo primeiro bebê nasceu muito acima do peso. A boa notícia é que a enfermidade desaparece após o parto. No entanto, quem teve diabetes gestacional corre maior risco de se tornar diabética com o passar dos anos. Cuide-se!

5 ARMAS DE COMBATE

A Organização Mundial da Saúde alerta: os casos de diabetes praticamente quadruplicaram e a doença já mata 1,5 milhão de pessoas ao ano no mundo. Além disso, a prevalência do diabetes tipo 2 quase dobrou em algumas regiões do Brasil nos últimos 20 anos. Fique esperta! 

1 Faça boas escolhas alimentares.
Dê preferência aos itens com menos açúcar, gordura e evite alimentos muito processados. “Carboidratos como massas, farinhas, arroz branco provocam elevações rápidas da glicemia e também devem ser evitados”, orienta Alessandra. 

2 Tenha uma rotina regular de exercícios.
Quando uma pessoa faz atividade física, os receptores celulares do corpo aumentam a capacidade de captar a glicose no sangue, levando-a para dentro das células, em vez de deixá-la no sangue. “Todas as modalidades são benéficas, no entanto uma massa muscular maior torna o metabolismo dos açúcares mais eficiente. Por isso indico a musculação”, explica Joffre. 

3 Controle os níveis de stress.
Os hormônios ligados ao estado de tensão influenciam a glicemia. Além disso, pessoas muito estressadas não conseguem se cuidar direito, podendo se esquecer de medir sua taxa, cometer abusos na dieta... 

4 Durma bem.
O sono é essencial para o equilíbrio hormonal. 5 Beba vinho. Um estudo da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria, confirmou que uma taça de vinho tinto ao dia reduz o risco de diabetes tipo 2.

31/03/2017 - 13:20

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