Saúde: alivie a dor

As mulheres são as maiores vítimas do “ai, ai...”. Portanto, todas terão que lidar com algum tipo de incômodo ao longo da vida. Mas, em vez de se entupir de remédio, investigue a causa e tente soluções analgésicas menos nocivas

Texto: Andréa Soares

Alivie a dor | <i>Crédito: Shutterstock
Alivie a dor | Crédito: Shutterstock
Hoje, no mundo, a maior queixa das pessoas é a dor. A explicação para a essa epidemia está, em parte, no fato de as pessoas estarem vivendo mais e ganhando peso. As mulheres são as mais afetadas: “Por causa das mudanças hormonais nas várias fases da vida, elas se tornam suscetíveis a um conjunto de dores, como cólica menstrual, enxaqueca, dor nas costas, nas articulações, na cabeça e no pescoço. O ritmo de vida agitado, a alimentação desequilibrada, o sedentarismo e o stress pioram os sintomas”, explica Maria Celeste Osorio Wender, professora de ginecologia e obstetrícia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E os homens? De acordo com o neurocientista Je rey Mogil, da Universidade McGill (Canadá), a testosterona, hormônio sexual masculino, tem um efeito protetor contra o mal. O fato é que muitos especialistas não dão importância às reclamações femininas. “Grande parte acredita que sentir dor é normal nas mulheres”, revela Donna- Ann Thomas, da Faculdade de Medicina de Yale (EUA). Felizmente, o fato está sendo discutido entre a classe médica e levando ao desenvolvimento de melhores práticas de avaliação, tratamento e gestão da dor. Conheça as dores que mais afetam as mulheres e como acabar com elas.

COSTAS
O mal na região aflige 54% das brasileiras, impossibilitando-as de realizar atividades de rotina. 
O que fazer 
Se o problema é a postura
Geralmente a dor surge em quem fica sentado o dia todo. A solução é fazer caminhada de 30 minutos, duas a três vezes por semana. De acordo com um estudo, a atividade é mais efetiva que a fisioterapia nesse caso. 

Se o problema é músculo abdominal fraco 
Um abdome flácido exige que as costas se esforcem mais para manter o prumo. Pratique todos os dias o exercício prancha de cotovelos: deitada de bruços, apoie os antebraços e a ponta dos pés no chão, alinhando-os. Os joelhos e o quadril devem ficar elevados e o corpo, reto. Contraia o abdome e os glúteos e mantenha-se na posição por 30 segundos. Relaxe e repita completando três séries. 

Se o problema é hérnia de disco
Compressas de gelo aliviam, assim como os exercícios de alongamento, que afastam o disco do nervo. Experimente: deite-se de costas e flexione uma das pernas, aproximando o joelho do peito. Mantenha-se assim por cinco segundos e faça o mesmo com a outra perna. Repita dez vezes.

PESCOÇO 
Permanecer longas horas na frente do computador, falar ao telefone apoiado no ombro, tensionar a região em períodos de stress e ficar frequentemente com a cabeça baixa digitando no Smartphone (o chamado pescoço de texto) são hábitos que sobrecarregam a musculatura e geram dor 
• O que fazer
Levante a cabeça - Posicione o celular o mais próximo da altura dos olhos e não fi que assim muito tempo. TENTE A Acupuntura - Um estudo publicado no periódico americano Annals of Internal Medicine afirma que 50 minutos do método reduzem o desconforto mais rapidamente em comparação com os medicamentos. 
Atualize o exame de visão - Por volta dos 40 anos a tendência é desenvolver presbiopia (dificuldade de enxergar de perto), e o problema faz as pessoas tensionarem o pescoço para enxergar. Usar óculos para leitura é uma solução. Compressas com alecrim - Coloque três gotas de óleo essencial de alecrim numa compressa morna e ponha no local da dor por 15 minutos/dia. A erva é analgésica.

JOELHOS
O incômodo na articulação pode ocorrer por diversos motivos e em várias fases da vida. “mas na mulher as causas mais comuns são artrose, uma inflamação da cartilagem que provoca dor quando a perna é dobrada e que pode vir acompanhada de barulho”, diz a personal trainer Iva Bittencourt (sp).
• O que fazer
Invista na curcumina - O principal componente ativo do açafrão-da-terra possui efeitos anti-inflamatórios potentes, sendo muito efetivo no tratamento de artrites e tendinites. Um estudo de 2014 descobriu que o extrato da curcumina é melhor que a substância ibuprofeno no tratamento de dor no joelho. A recomendação é ingerir 500 miligramas de açafrão ou cúrcuma duas vezes por dia. 
Flexione os músculos - Para eliminar a pressão das juntas é necessário alongar a musculatura dos membros inferiores. Pratique este movimento: deitada de costas, passe uma faixa na sola do pé direito e, segurando-a com as mãos, eleve a perna o mais alto que conseguir, sem dobrar o joelho. Mantenha a perna esticada por dez segundos. Faça com a outra perna. Repita cinco vezes para cada lado. 
Evite o salto alto - Ele sobrecarrega os joelhos e aumenta o risco de osteoartrite (degeneração da cartilagem). Prefira os calçados baixos e com solado tipo flatform. 
Capriche nos nutrientes - “Algumas vitaminas e minerais podem contribuir para a cicatrização dos tecidos, fortalecer os ossos e prevenir os processos degenerativos”, afirma Marco Antonio Ambrosio, ortopedista e médico do esporte do Hospital Samaritano (SP). Consuma mais cálcio (leite e derivados), mantenha o nível de vitamina D (presente na gema do ovo, no salmão e na ostra) e aumente a dose de ômega 3 (no salmão, nas nozes e no azeite de oliva).

CABEÇA 
Estudo* revela que 56% das brasileiras sentem dor na região pelo menos uma vez por semana — sendo forte ou extremamente forte para 49%. 
• O que fazer
Não ignore as alergias - A maioria dos pacientes com dor de cabeça frequente ou enxaqueca tem alergia. Há suspeitas de que a doença cause inflamação nos nervos, o que leva à liberação de histamina, um neurotransmissor que age para combater a lesão e desencadeia a dor. Portanto, considere aliviar uma crise alérgica com anti-histamínico. Pesquisas mostram que 52% das mulheres sentem redução na frequência da enxaqueca. 
Tome magnésio - O mineral é eficiente em casos de dor de cabeça associada ao ciclo menstrual. Um estudo americano descobriu que 600 miligramas por dia de magnésio reduzem em 42% a frequência de dores ao final de 12 semanas. Movimente o pescoço - Um sintoma comum de enxaqueca é a dor no pescoço e, por isso, muitas vezes não é tratada, por ser confundida com dor tensional na região. Experimente aliviar o peso na cabeça encostando o seu queixo no colo, o máximo possível. Permaneça na posição por dez segundos, volte ao normal e repita.

22/12/2016 - 12:27

Conecte-se

Revista Máxima