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MÊS DA MULHER: psicóloga analisa como é possível se livrar dos padrões de beleza da sociedade e alcançar a autoaceitação

O amor-próprio salva, mas ainda estamos longe de alcançá-lo 100% como sociedade; especialista explica como as redes sociais influenciam a mulher e sua visão sobre si mesma

Máxima Digital Publicado em 15/03/2021, às 15h20

Psicóloga analisa como é possível se livrar dos padrões de beleza da sociedade e alcançar a autoaceitação
Psicóloga analisa como é possível se livrar dos padrões de beleza da sociedade e alcançar a autoaceitação - Freepik

A moda é parte da construção da identidade de uma sociedade. Até os indivíduos que não se interessam muito pelo tema, usam roupas para passar certas mensagens.

Uma pesquisa realizada pelo Google e pela WGSN, empresa global de previsão de tendências, mostra que em 2030 as pessoas vão criar suas próprias regras. Com isso, as marcas precisarão deixar de lado a busca por um ideal de perfeição para cativar os consumidores, que procuram cada vez mais uma autoaceitação.

Para a psicóloga Daniela Faertes, atualmente essa identificação por tendências passou a ser mais individual do que coletiva no inconsciente das pessoas.

“Hoje, a moda é vista cada vez mais como uma maneira de se sentir bem e menos como algo que deve ser seguido obrigatoriamente”, comenta a psicóloga especialista em terapia cognitiva e mudança de comportamentos prejudiciais.

O padrão de modelos magras, altas e brancas também começou a mudar. A mesma pesquisa aponta que as pessoas querem ver suas representações nesta indústria, pois não se encaixam nos padrões antes determinados. Cresceu em 109% a busca por moda plus size nos últimos anos.

Mas todo esse processo de mudança de paradigma ainda é muito lento. No entanto, em dez anos houve um aumento de 141% no número de procedimentos estéticos realizados em jovens entre 13 e 18 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Com todas essas informações, fica o questionamento: como os padrões de beleza estão no imaginário da sociedade?

Essa e as principais dúvidas sobre o tema, a psicóloga Daniela Faertes responde a seguir. Confira:

Como a moda influencia na nossa visão de belo?

Quase sempre a moda tem esse papel de influência social, de representar algum status ou dar voz a alguma questão, já que buscamos referência em alguém que admiramos, inclusive na maneira de se vestir. Por muito tempo essa inspiração vinha de pessoas distantes, como atrizes e modelos americanas. Hoje em dia, cada vez mais, somos influenciados por estímulos de imagens nas redes sociais. Tudo o que a gente olha com mais frequência vai se tornando a nossa realidade. É como se ao podermos escolher ao que assistir ou seguir, vamos criando nossa própria realidade.

Atualmente, essa é uma grande questão que discutimos filosoficamente, como que o nosso cérebro pode entender que a realidade não é aquilo que a gente mais vê? Isso fica muito complexo de ajustar na questão da percepção da imagem do outro e da própria autoimagem.

O medo de envelhecer ainda está no inconsciente das mulheres?

Imagens de beleza ainda são usadas contra as mulheres, apesar de aos poucos estarmos mudando essa visão. A indústria tem um enorme poder de definição do que é belo através de um padrão utópico para muitas mulheres: magras, jovens, pele de pêssego, cabelos sedosos, nariz fino e pequeno. É isso que nós assistíamos em diferentes comerciais até pouco tempo.

A sociedade sempre impôs que a mulher perdia o seu valor ao envelhecer e, assim, poderia ser trocada por uma mais nova, por isso esse medo ainda está presente em nosso inconsciente. No entanto, hoje já podemos notar um movimento contra essa corrente, com mulheres se empoderando de seus fios grisalhos, assumindo suas rugas.

Se acham bonitas, independente de um padrão, e não seguem à risca o que é pré-estabelecido no mercado. Para elas, o que mais importa são suas conquistas pessoais e profissionais. A mulher madura de hoje vem se encaminhando para saber se vestir com muito mais segurança e aceitar as transformações do seu corpo, afinal, são marcas que ela carrega para toda a vida.

Quando a vaidade se transforma em obsessão?

Quantas vezes você já olhou no espelho e não gostou do que viu? A maioria das mulheres já passou por isso por acharem que o belo é somente o que é imposto pela sociedade. No entanto, a percepção do que é beleza muda de tempos em tempos e dificulta o diagnóstico de tais patologias relacionadas a ela.

O transtorno dismórfico corporal provoca uma distorção da imagem que temos de nós mesmos, com foco obsessivo por alguma parte do nosso corpo ou rosto que, de alguma forma, não nos agrada.

Em geral, observamos que a pessoa fica obcecada por essa determinada região, mas depois que a modifica através de alguma intervenção, ela muda o foco para outro local, gerando uma insatisfação frequente. Quando a pessoa está com esse transtorno, ela tem uma ideia de perfeccionismo que sempre vai para uma região que não esteja perfeitamente delineada como imagina.

Nos casos mais graves, a pessoa até tem uma distorção da imagem que ela vê no espelho, enxergando algo maior do que é na realidade.

Hoje em dia, temos um “boom” no desenvolvimento desses transtornos por conta do hiperestímulo visual que temos nas redes sociais. Com a pandemia, ficamos com a imagem muito mais exposta, o encontro presencial foi substituído pelo virtual. Desta forma, o aumento do estímulo da imagem faz com que as pessoas se vejam muito mais e vejam outras que nem sempre retratam o que é real, como é o caso do uso de filtros.

É possível se livrar dos padrões de beleza impostos pela sociedade?

Eu acredito que a gente pode, aos poucos, lidar com essas imposições de outra forma, mentalizando algumas coisas que podem ajudar a passar por isso com outra visão.

Pessoas com senso crítico também são afetadas de alguma forma por esses padrões de beleza. Elas poderão escolher se vão fazer alguma coisa contra isso, mas exigirá um esforço muito maior.

Temos muito mais estímulos sobre um padrão estipulado pela sociedade e são eles que observamos na maioria dos anúncios, na internet e nas redes sociais. Para se livrar disso, é preciso alimentar a autoestima em outras áreas da vida para que a gente não precise se submeter a essa ditadura que nos é imposta, de que sem essa perfeição nada mais vale a pena.

É importante ressaltar que nem toda pessoa quer ter os lábios mais volumosos e a sobrancelha definida, por exemplo. Mas caso você queira, isso pode entrar na sua zona de autocuidado e fazer com que você se sinta melhor, mais bonita. É preciso enxergar quando isso é um excesso e se questionar se as atitudes que você está tomando fazem sentido ou não, se é exagero ou não, de que forma você está sendo influenciada pelo seu entorno.

Mulheres de todas as idades podem ter a instabilidade emocional afetada?

Sim, todas as idades podem ter sua estabilidade emocional afetada, já que o ideal de beleza cria um desejo de perfeição a seguir.

As redes sociais, por exemplo, têm grande influência em nossas vidas, já que somos atingidas por referências que estão em nosso entorno. Nelas, temos uma enxurrada de estímulos sobre um determinado modelo a se seguir. Mesmo que a gente saiba que aquilo que vemos nas redes, em sua maioria, é filtro ou maquiagem, em nossa mente existe esse modelo de beleza.

Até as pessoas com mais senso crítico são afetadas pelo entorno, porque isso é humano. Elas tendem a enxergar uma coerência ou incoerência no que estão vendo. Mesmo com a racionalidade ativada, não tem como a pessoa não ser afetada pelo o que está acontecendo a sua volta, pelo padrão estipulado.

A maior problemática dessa questão estética é o excesso de sofrimento. Quando seguir padrões de beleza impostos vira uma obsessão mental de pensamentos e dificulta que você se concentre em outras áreas da sua vida ou se prejudique por não estar dentro de um padrão.


Março é o Mês da Mulher na Máxima! Nosso intuito é fazer você, mulher, se enxergar por dentro e por fora e se valorizar. É fazer você perceber que é incrível, guerreira e que merece tudo de melhor na vida, sim!

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O especial MÊS DA MULHER vai de 1 a 31 de março.

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