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Comportamento / Positividade tóxica

Após comportamento de Tiago Abravanel no 'BBB22', especialista explica o que é a positividade tóxica

Rodrigo de Aquino falou sobre a positividade tóxica e como isso afeta a sociedade

Máxima Digital Publicado em 28/02/2022, às 13h00

Após comportamento de Tiago Abravanel no 'BBB22', especialista explica o que é a positividade tóxica - Instagram
Após comportamento de Tiago Abravanel no 'BBB22', especialista explica o que é a positividade tóxica - Instagram

O comportamento de Tiago Abravanel no BBB22 tem gerado uma repercussão fora da casa mais vigiada do país. A forma com que o ator deseja fazer com que os brothers convivam em sociedade sem discussões não agrada o público por completo e alguns o acusam de positividade tóxica. 

Rodrigo de Aquino, comunicólogo e especialista em Bem Estar e Felicidade, explicou o que é isso: "A psicologia positiva é um campo de estudo interdisciplinar, muito identificado com a psicologia, mas tem áreas da antropologia, da economia, da comunicação, que fomentam as teorias da PP (Psicologia Positiva).".

"E ela tem qual objetivo? Ela estuda como as emoções e os sentimentos positivos atuam nos indivíduos, nas relações e nas organizações, o que é diferente de você estudar o poder do pensamento positivo. Então, esse é o primeiro ponto, é muito importante a gente fazer uma linha de corte, para entender o que a psicologia positiva estuda e a sua diferença do mentalismo, da autoajuda e do poder do pensamento positivo, que são coisas diferentes. A gente estuda como o amor, a gratidão, o otimismo e a resiliência ajudam o ser humano a ter uma qualidade de vida melhor, relações melhores, como que que esses sentimentos promovem a construção de organizações mais funcionais, e tudo isso está ligado com um seguinte pensamento: de equilíbrio, do caminho do meio.
Para a neurociência, a felicidade está ligada à harmonia do corpo, o corpo em equilíbrio. Outra área da psicologia positiva, que é a área dos estudos das forças de caráter e das virtudes, fala que, para você estar na sua excelência, para você estar no caminho do seu bem-estar e da felicidade, você precisa estar no caminho do meio, no caminho virtuoso.", continuou. 

O especialista prosseguiu: "Então a gente fala que, coragem demais te leva a um papel de kamikaze, bravura demais te leva a ter comportamentos perigosos, o amor demais te leva a ter comportamentos abusivos, a empatia demais te faz sofrer, e assim por diante. Então a ideia toda desse campo de estudo é mostrar como que a gente pode encontrar o caminho do meio, porque tem momentos em que, por exemplo, você pode estar vivendo um momento de muita alegria, agora quando você vive NA alegria o tempo inteiro, isso ganha outro nome, ganha o nome de euforia, e o estado de euforia não é saudável para o corpo, tanto quanto viver com raiva, ódio e inveja o tempo inteiro também é disfuncional. Mas a própria psicologia positiva estuda qual é o aspecto positivo dos sentimentos negativos, porque eles são inerentes ao ser humano, o ser humano que não sente raiva, não sente ódio, não sente tristeza e não sente medo, ele é disfuncional, está com um problema."

Rodrigo explicou como essa questão se aplica no BBB22: "Quando a gente leva essa realidade para dentro do Big Brother Brasil, a gente tem que analisar um conceito, um construto. Primeiro que assim, o bem-estar é um conceito subjetivo, a felicidade e a positividade também. Cada um tem o seu limite para cada uma das coisas.
Quando eu penso em organização, hoje você tem uma casa com 20 pessoas que montaram um outro organismo, que é incomparável com as edições anteriores. Mas o ser humano vive movido à projeção, as relações humanas são feitas de projeção e expectativa. Então, esse é o primeiro ponto. Acho que o fato da edição, da química daquelas pessoas não terem trazido adrenalina, não terem trazido uma pimenta, causou frustração na audiência, que criou tanta expectativa, colocando eles agora como os inimigos da audiência. E aí todo o comportamento que essas pessoas tinham, talvez um comportamento mais harmonioso, era tido como positividade tóxica."

E, realmente, houve uma positividade tóxica no programa? O especialista apontou que sim, mas que também tiveram outras questões envolvidas.

"Houve comportamento de positividade tóxica lá dentro? Sim, em vários momentos. Mas muito do que se dizia ali, na verdade, as pessoas estavam tendo comportamentos carentes, pedindo para serem aceitas, estavam com medo de serem retalhadas, estavam buscando criar conexões, eles estavam todos muito perdidos ali. Então, o fato de estarem buscando novas tramas, criar laços emocionais e conexões ali dentro, com a intenção de acertar, depois de edições que tiveram tantos erros e as pessoas foram tão expostas, ali acho que aconteceram outras coisas, não só positividade tóxica.", disse. 

"Agora, no mundo normal, por exemplo, dentro de uma organização, de uma empresa ou sociedade, no momento em que a gente vive hoje, a gente precisa de resiliência, um dos maiores sentimentos que a gente teve que desenvolver nos últimos anos. A gente sofreu muita pressão, muitas expectativas, muitas dificuldades, e a gente vem desenvolvendo a resiliência de uma forma muito constante, mas muita gente ultrapassa o limite da resiliência e esbarra no estresse crônico.", apontou.

Rodrigo continuou: "Estou fazendo esse parênteses porque um programa como o BBB é feito para as pessoas usarem e abusarem da sua resiliência, para que elas entrem em estado de estresse crônico e possam competir. Então, isso é importante entender, também, que muito do que as pessoas interpretavam como positividade tóxica era uma falta de alinhamento de expectativa, porque muitas pessoas entraram nessa edição procurando um playground, procurando uma colônia de férias, enquanto que a proposta do programa é gerar conflito, a proposta do programa é fazer com que as pessoas tenham suas convivências e que elas entrem em competição.".

"Cabe aqui talvez um paralelo, de você falar como uma empresa. Dentro de uma empresa, é fundamental que as pessoas tenham um espaço de bem-estar e que elas trabalhem felizes, isso não significa que elas não vão encontrar problemas dentro do trabalho delas, não significa que elas não vão encontrar conflitos dentro do trabalho, mas as pessoas podem ser trabalhadas e ensinadas para terem reações melhores diante desse tipo de coisa. Dentro do programa, muita gente foi pra lá só pra curtir, não querendo ter conflito, mas o acordo é outro, o acordo é 'vocês precisam dar uns pulos', então agora tem uma interferência externa de colocar essas pessoas sob pressão, e isso a audiência pode começar a gostar bastante, mas isso é danoso, não é funcional, porque essas pessoas começam a entrar num estado de sofrimento. E é isso que a gente quer? Fica essa pergunta.", explicou.

O especialista finalizou: "Acho também muito importante a gente pensar no seguinte ponto: a gente naturalizou a distopia, a agressão, essas pequenas violências diárias. A gente acha comum e ri disso, e quando pessoas se propõem a ter um comportamento diferente, isso causa um espanto, então eu acho que é importante se questionar sim a positividade tóxica, porque tem muita gente aplicando conceitos de psicologia positiva de uma forma equivocada, e isso também traz danos, mas também vale a pena a gente pensar sobre isso, como a naturalização das violências nos faz aceitar a brutalidade na televisão, e querer cada vez mais 'sangue no zóio', 'faca na caveira' e agressividade, então vale muito essa reflexão também para a gente, de quais são os limites entre a positividade tóxica, a negatividade tóxica e a funcionalidade do indivíduo, pois elas são muito sutis, e vamos pensar numa coisa: o Big Brother não é um programa pra você falar de bem-estar, é um programa feito realmente para as pessoas entrarem na exaustão, a proposta é essa. Acho que o grande ponto vem nesse conflito, um programa que é feito para gerar estresse, e as pessoas tendo um comportamento que não cumpre essa expectativa."


Rodrigo de Aquino:

Comunicólogo e especialista em Bem Estar e Felicidade, estuda desenvolvimento humano desde os 14 anos de idade. Especialista em Psicologia Positiva (IPOG), Planejamento estratégico (Miami Ad School) e Coolhunting (Istituto Europeo di Design) se dedica integralmente ao estudo do desenvolvimento humano e da felicidade no mundo corporativo, através de sua formação como Chief Happiness Officer. Realiza mentorias, palestras e consultorias na área de criatividade, florescimento humano e FIB (Felicidade Interna Bruta). Além disso, trabalha com esses temas nas suas redes sociais, em blogs e plataformas de streaming (como playlists no Spotify e no Deezer). É embaixador em São Paulo da ONG Doe Sentimentos Positivos e fundador do Instituto DignaMente.

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