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Dever de casa é uma ferramenta essencial para a fixação do conhecimento

No entanto, sem a conduta correta dos pais, acredite, ela mais atrapalha do que ajuda o desenvolvimento. Saiba o por quê

Texto: Patrícia Afonso Publicado em 14/07/2016, às 13h20 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

Dever de casa é uma ferramenta essencial para a fixação do conhecimento
Dever de casa é uma ferramenta essencial para a fixação do conhecimento - Shutterstock
Você tem certeza de que fazer a lição de casa com o seu filho garante o bom desempenho escolar dele. Sim e não... Pesquisadores da Universidade do Texas (EUA) avaliaram dados do governo americano sobre a participação dos pais na vida escolar de 10 mil famílias de estudantes e cruzaram essas informações com a escala de rendimento das crianças em leitura e matemática. O resultado foi uma descoberta surpreendente e que, certamente, se aplica às famílias brasileiras: muitas vezes a ajuda dos pais na tarefa apenas puxa o rendimento da criança para baixo! Calma, todo mundo sabe que a intenção é positiva e, antes que você desista desse acompanhamento, vale ressaltar que o problema, em si, está nos métodos com os quais ele é empregado. A começar por uma dificuldade básica, apontada por muitos familiares: não dominar o conteúdo que está sendo estudado pela criança. Um dos organizadores da pesquisa, o sociólogo Keith Robinson, pontuou que muitos pais se esquecem — ou nunca chegaram a entender, de verdade — a matéria em questão. Aí, na hora de tentar explicar, já viu: é confusão na certa. “É muito comum que os pais estejam desatualizados ou que tenham aprendido a atividade de uma maneira diferente, que pode embaralhar a cabeça da criança”, diz a psicopedagoga clínica Quezia Bombonatto (SP).

A importância dos tropeços 

O principal antídoto contra esse deslize, dizem os experts, é realinhar o papel dos pais frente ao dever. “Eles não têm a função de ensinar o conteúdo, apenas o de acompanhar e sanar eventuais dúvidas, no entanto, sem interferências diretas nas respostas”, afirma Karin Kenzler, psicóloga do Colégio Humboldt (SP). Um hábito comum porém prejudicial é os pais corrigirem a lição em casa para evitar que os exercícios retornem à escola com erros. A atitude rouba dos professores uma preciosa oportunidade de verificar a evolução do aluno — tanto acerca do tema proposto como com a grafia das palavras, por exemplo. “Além do perfeccionismo de alguns pais, que desejam apresentar à escola um aproveitamento impecável do fi lho (mesmo quando isso não corresponda à realidade), essa conduta pode ter outras motivações, como o desejo de desafogar o filho das tarefas”, garante Quezia. Nesse caso, em vez de tomar para si o que foi responsabilizado à criança, os pais devem procurar o colégio e expor a situação, solicitando ajustes no fluxo das atividades. 

Autonomia e gosto pelo saber 

Outra coisa que merece atenção é a dosagem do acompanhamento nas tarefas escolares. Sabe aquela máxima que prega que todo excesso é ruim? Pois é: ela faz muito sentido nesse contexto, pois pode deixar a criança dependente. “É comum, por conta do excesso de zelo dos pais, o jovem nem tentar realizar a lição sozinho. Dessa forma, não desenvolve a noção de responsabilidade e autonomia e a consciência necessária de que o dever é dela e que tem que ser feito com as próprias habilidades e esforço”, destaca Quezia. 

O processo, no entanto, é gradual. No início, os filhos precisam, sim, de um suporte maior e contínuo. “À medida que os responsáveis observarem evolução na independência da criança, eles podem se ausentar, fazer alguma outra atividade em paralelo e retornar, em intervalos pequenos de tempo, para que ela se sinta assistida e apoiada”, orienta Luciana Barros de Almeida (GO), presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Mais um toque: segure o impulso de acelerar o ritmo do pequeno para finalizar logo as atividades. Além de gerar uma ansiedade nociva, que o deixará mais propenso a cometer erros, a pressão alimenta a ideia de que a lição de casa é algo desagradável, de que ele deve se livrar rápido. “Entretanto, vale ressaltar que não é recomendável deixar um tempo ilimitado para a realização das tarefas. É que sem um limite definido o filho ficará mais propenso a se distrair”, explica Quezia. A profissional sugere estipular o tempo de acordo com a matéria em questão e a dificuldade do filho em relação a ela. “Por exemplo, para uma atividade trabalhosa ou difícil podem ser dados 30 minutos. Explique assim: quando o ponteiro do relógio chegar aqui, você tem que ter terminado a tarefa”, ensina Quezia. Caso a proposta não seja cumprida, observe se a razão foi desatenção ou se o filho precisa de reforço no conteúdo.
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