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Comportamento » HISTÓRIA INSPIRADORA

MÊS DA MULHER: Mulher preta, bissexual, mãe e deficiente! Conheça a história de Haonê Thinar, que teve sua perna amputada ao descobrir um câncer no fêmur com apenas 8 anos

Com muita força, ela encara os preconceitos da sociedade diariamente, sem medo de levantar suas bandeiras e ser a mulher que nasceu para ser

Ana Carolina Batista Publicado em 10/03/2021, às 15h21

Haonê Thinar teve sua perna amputada com 8 anos de idade após descobrir câncer maligno no fêmur direito
Haonê Thinar teve sua perna amputada com 8 anos de idade após descobrir câncer maligno no fêmur direito - Reprodução/Instagram

Mulheres fortes precisam ser ouvidas! 

Preta, periférica, mãe, bissexual e deficiente, Haonê Thinar, 28 anos, é um exemplo de potência feminina. Com apenas 8 anos de idade, ela descobriu que estava com um câncer maligno (OSTEOSARCOMA) em seu fêmur da perna direita e por isso teve que amputá-la. 

Apesar de ter descoberto a doença ainda criança, sua infância não foi nem um pouco fácil. Sabemos como os jovens podem ser cruéis e como o ambiente escolar é ostensivo para quem é diferente. 

Com muita garra, Haonê conseguiu se aceitar e hoje é capaz de enxergar toda a beleza que emana de dentro de si. A gravidez de Felipe, um garotinho lindo de 2 anos, também corroborou para o processo de auto aceitação. 

Neste MÊS DAS MULHERES decidimos homenagear essa mulher de luta. Nós, da Máxima Digital, batemos um papo com Haonê Thinar, dando a oportunidade de vocês, nossas leitoras, se inspirarem com esse lindo relato. 


Quão difícil é ser uma mulher deficiente no Brasil?

Um verdadeiro caos, além de ser muito constrangedor. Entendo que ver alguém com deficiência nas ruas não é algo 'normal', porém as pessoas não estão sendo educadas para agir espontaneamente ou para naturalizar a pessoa com deficiência. 

Considera que o país tem estruturas para abraçar pessoas deficientes?

No meu caso, como sou amputada da perna direita e ando de muletas, ainda que acabe sendo um pouco mais fácil, por eu já ter uma mobilidade tranquila, as escadas dos ônibus são altas, existem buracos nas ruas e as escadas rolantes do metrô, muitas vezes, funcionam em um só sentido. Fora os elevadores, que estão sempre quebrando, me forçando a usar as escadas normais. 

Como lidou com a perda da sua perna ainda na infância?

Não teve tanto impacto para mim porque eu ainda era uma criança. Fazia quimioterapia fantasiada de bailarina, passava glitter na cabeça quando todo meu cabelo caiu, a carimbava com os carimbos dos médicos, todos me conheciam no GRAACC, que foi onde me tratei. Em relação a minha adolescência foi bem mais difícil. Criança não tem compaixão com o colega e adolescente pode destruir uma pessoa que está sofrendo bullying. Sempre fui chamada de sem perna, saci... fora a questão do racismo! Neguinha de cabelo duro, preta feia, preta sem perna. Uma frase que define tudo isso é: "foi horrível e eu sofri demais". 

A respeito do seu filho, o Felipe, como recebeu a notícia? Foi uma gravidez planejada?

Foi um verdadeiro ‘back’! Eu estava no auge da minha carreira como modelo e atriz, até dançarina eu já havia me tornado. Foi uma gravidez difícil, fui questionada pelo pai do meu filho sobre a paternidade. Tudo isso me fez ter crises de ansiedade, e hoje me arrependo de ter dito diversas coisas sobre o Felipe, mas nada tinha mexido tanto comigo como a gravidez. Tinha medo de ter que sempre depender das pessoas, do meu corpo mudar, meus seios caírem, que é algo que me incomoda até hoje. Foi uma fase muito difícil, mas graças a Deus consegui superar e ser mãe, amando meu filho incondicionalmente.

De que forma trabalhou sua auto aceitação? 

Hoje sim me sinto linda, gostosa e maravilhosa. Esse foi um processo muito doloroso, quando eu realmente caí na real de que eu teria que me amar e gostar de mim. Principalmente porque naquela época eu não tinha acesso a internet como válvula de escape, eu sentia que era eu mesma contra todos. Na época da escola eu me relacionava com um menino que me escondia, e um dia eu o vi me humilhando junto com outros garotos do colégio, me diminuindo por não ter uma perna. Após esse start, dia após dia eu tento manter aquela menina que se ama. 

Sendo uma mulher bissexual, preta, deficiente e mãe, como lida com os preconceitos da sociedade?

Na verdade, eu ainda não sei lidar com o preconceito. Eu não entendo como as pessoas conseguem menosprezar, xingar e diminuir outra pessoa que nunca a fez mal algum, e que se está ali naquelas condições, lutou muito para ainda estar viva, com saúde e força para sobreviver nesse país cheio de rótulos e preconceitos. Porém eu vivo bem, não escondo nada de ninguém, levanto minhas bandeiras e a única coisa que eu quero que as pessoas tenham por mim é RESPEITO.

Se sente feliz sendo a mulher que é atualmente? 

Hoje sim, a menina frágil que tinha medo de tudo ficou lá atrás. Passei por tantas coisas que me fortaleceram muito como pessoa e como mulher, apesar muitas ainda para melhorar e evoluir, sou feliz sendo quem eu sou, mesmo sendo meio louca às vezes.

 
 
 
 
 
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