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Comportamento » História de vida

MÊS DA MULHER: Superação! Conheça a história de Flávia Hokama, que enfrentou 48 dias de internação e teve sua vida transformada pela encefalite

A estudante de medicina desenvolveu epilepsia refratária, mas não desistiu e criou uma página para ajudar pessoas em situações semelhantes

Artigo de Flávia Hokama, publicado por Gabriele Salyna, para a Máxima Digital Publicado em 08/03/2021, às 16h00

Conheça a história de Flávia Hokama, que enfrentou 48 dias de internação e teve sua vida transformada pela encefalite
Conheça a história de Flávia Hokama, que enfrentou 48 dias de internação e teve sua vida transformada pela encefalite - Arquivo Pessoal

“Olá, mulheres lindas e fortes! Tenho certeza de que todas têm histórias de superação, temos que valorizá-las mais porque nos deixam incentivadas a ficarmos mais fortes ainda!! E lembre, conte para alguém, escreva, acho isso ótimo!

Prazer! Me chamo Flávia Hokama, tenho 24 anos e sou estudante de Medicina da USP.

Em setembro de 2019, tive uma doença bem grave, a encefalite (infecção no cérebro) que me deixou com Epilepsia refratária. Ela me pegou de surpresa, nunca imaginei que algo assim aconteceria comigo, mesmo estudando e tratando de doenças na minha rotina. Tudo começou com sintomas inocentes, febre, cansaço e dor de cabeça, por exemplo, isso não preocupou de início. Quando fiquei com uma cara ruinzinha, algo que não costumo ficar, minha mãe me pegou e levou ao Pronto Socorro. Lá tive minha primeira convulsão. Foi instinto de mãe mesmo, outra mulher fortíssima e admirável.

A partir de então, começou a parte difícil. Fui internada e fiquei 48 dias! 38 dias foram na UTI e lá fiquei em coma induzido por 3 semanas. O tempo no hospital não foi tão ruim, ótimos profissionais e apoio da minha família, em nenhum momento pensei que fosse dar ruim. Era uma doença rara, com tratamento muito difícil e diagnóstico mais ainda, que não houve no final, mas isso não é o importante, o que importa é como lidei após os problemas que já haviam ocorrido.

Saí do hospital fraca por fora (emagreci por volta de 15 kg e olha que sou pequenininha já! hahah), mas por dentro muito mais forte com certeza! Renasci! Ganhei mais uma chance.

Minha vida mudou bastante. Desde então, tenho epilepsia refratária, preciso tomar muitos medicamentos, parei de dirigir, parei de jogar tênis, tenho necessidade de dormir bem e lidar com um tratamento que possui diversas variáveis. Os efeitos colaterais são os mais difíceis de contornar, tenho bastante sono e diminuição da concentração, o que resulta em desafios todos os dias. Dá para ver que há muitas coisas ruins aí atrás, mas também há lados positivos. Posso citar que descobri e aprendi sobre o preconceito com a Epilepsia, algo que não teria ocorrido. O que tirei disso foi querer ajudar outras pessoas que convivem com ela, pois acredito que tenho essa capacidade. Criei a página @Epitalk no Instagram, posto informações para quebrar o estigma sobre a epilepsia, trazer qualidade de vida para as pessoas, dêm uma olhada lá!

 
 
 
 
 
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Minha rotina é bem puxada como estudante de medicina, uma carga grande de trabalho com aulas e atividades práticas, mas isso não me impediu de nada. Agora, por exemplo, estou passando pelo estágio de cirurgia, ontem tive uma crise epiléptica e hoje acordei às 5 da manhã para chegar no hospital, claro que respeitando meus limites e tendo apoio necessário de colegas, às vezes precisamos deixar o orgulho de lado. Pedir ajuda não significa não ser forte, isso é importante entender!! Portanto, resumindo, surgiu algo inesperado, diversas mudanças na minha vida, boas e ruins, e utilizo apoio, esforço e muita perseverança para ter conquistas, que nem sempre ocorrem na primeira tentativa.

Devemos tentar conquistar os desafios o máximo possível, e se não der certo dessa vez, teremos outras chances! Para ajudar nessa jornada, sigo o lema “força e paciência”. Frustrações fazem parte. Quero enfatizar isso, se não conseguimos ter êxito em algo, não significa fracasso, foi um episódio da sua história somente, temos muitos outros pela frente! Devemos nos valorizar, escolher as coisas que realmente importam nessa vida, e quando encontrá-las seguir com força para conquistar ou superar as primeiras tentativas que não deram certo. Resiliência meninas, somos muito mais fortes do que pensamos.

Novamente, precisar de ajuda não significa fraqueza! Falharmos, pedir ajuda no que necessitamos, não desistir, é ser forte.

Espero que contar um pouco sobre mim, somente como exemplo, ajude muitas mulheres a terem cada vez mais superações! Me inspiro em histórias de outras mulheres, cada uma com sua personalidade.

Vamos continuar a escrever nossas histórias, com desafios, frustrações, muitas superações e muitos aprendizados! Eles nunca acabam.

Foi um prazer estar aqui, um beijo para todas vocês! Mulheres fortes e guerreiras. Juntas somos mais fortes!”.

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