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Os opostos se atraem mesmo?

Esclarecemos aqui se essa famosa crença popular faz sentido ou se é uma grande furada - que, a longo prazo, pode explodir a relação

Máxima Digital / Foto: Shutterstock Publicado em 09/02/2016, às 09h00 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

Os opostos se atraem mesmo?
Os opostos se atraem mesmo? - Shutterstock
"Os opostos se atraem, mas são os semelhantes que permanecem juntos”. Quantas vezes você já escutou ou até mesmo vivenciou esse antigo ditado? Pensando nisso, resolvemos investigar o assunto para entender se a crença faz mesmo sentido. E mais: se dá para manter uma relação feliz e duradoura com alguém que seja totalmente diferente da gente. “O relacionamento amoroso é uma descoberta sobre o outro e também sobre nós mesmas. Nesse sentido, podemos ser atraídas por pessoas opostas ou semelhantes. Portanto, na minha opinião, não existe nenhum tipo de regra”, afirma a psicóloga Marina Zochetti (SP). Mas, cá entre nós, não é nem um pouco fácil conciliar tantas diferenças no dia a dia a dois. E a ideia (tão popular!) de que pessoas com personalidades opostas se atraem pode acabar virando uma pegadinha de mau gosto. Nesta reportagem, mostramos como não deixar que a incompatibilidade acabe prejudicando (ou até matando) o amor e o tesão entre o casal.

A diferença não é o problema
Segundo a psicóloga, uma relação amorosa pode ser comparada a uma amizade. Em geral, os amigos conseguem equilibrar as diferenças sem grandes traumas ao relacionamento. É impossível que duas pessoas sejam idênticas e, vez ou outra, há que se lidar com as discordâncias. Ou seja, a chance de dar certo é grande se, apesar das diferenças, você e o seu parceiro conseguirem se entender, valorizando as qualidades um do outro e contornando as pequenas desavenças. “Para isso, expresse de verdade o que sente e qual é o seu jeito de ser. A beleza do relacionamento amoroso está em aceitar o outro como ele é”, ressalta Marina.

Incompatibilidade na corda bamba
Ele gosta de sertanejo, você não perde um show de rock... Os lugares que frequentam e até as comidas que curtem não “batem” de jeito nenhum. De repente, as brigas começam a crescer e a pesar. Calma! Isso não é o fim do mundo se ambos estiverem dispostos a ficar juntos e estabelecer acordos. “Para que a relação não ‘quebre’, o casal tem de dialogar bastante. Ao ser sincera, você está ofertando o seu melhor ao companheiro”, garante a especialista. Além de falar sobre os temperamentos, crie esquemas para dribá-los, revezando os programas — de modo que os dois sejam contemplados, é óbvio. Ceder e ser flexível são atitudes obrigatórias em namoros e casamentos nos quais haja muitos conflitos entre o casal.

A divergência subiu no telhado
Aqui o caso é mais complicado, pois o desacordo ultrapassa a questão de gosto. Ou seja, as diferenças são de uma “ordem maior”, como religião, valores, visão de mundo e objetivos de vida. Discordar em pontos delicados assim gera uma série de problemas e, se as discussões forem constantes e acontecerem sempre pelo mesmo motivo, a relação acaba corroída a longo prazo. “Uma parceria duradoura e saudável necessita de afinidades. E, para que ela dê certo, é necessário ter objetivos parecidos e comuns”, reforça Marina. Não existem regras para que um amor chegue ao fim, porém, se os entraves fizerem o desejo e a admiração esfriarem (ou até morrerem), é hora de reconsiderar o relacionamento.

“Por volta dos anos 1970, surgiram evidências de que a escolha do parceiro era influenciada pelo olfato, os chamados genes MHC. Nas espécies estudadas à época, observou-se que indivíduos diferentes preferencialmente se escolhiam”, revela Maria da Graça Bicalho (PR), PhD em genética humana. Segundo ela, é fato que várias espécies buscam um indivíduo geneticamente diferente na hora da reprodução. Isso acontece para gerar descendentes com maior capacidade de adaptação. É uma questão evolutiva, de sobrevivência mesmo. Maria da Graça coordenou uma pesquisa sobre o tema na Universidade Federal do Paraná, em 2005. Nela, homens e mulheres deixaram o suor num sachê de algodão preso a um colar. Na sequência, os sachês foram distribuídos aleatoriamente e cada participante tinha de escolher o cheiro que mais lhe agradava. Observou-se uma preferência pelo parceiro de MHC diferente. “É claro que a escolha do parceiro envolve questões mais complexas. Mas, do ponto de vista imunológico, os opostos se atraírem faz todo o sentido”, diz.

Quando as diferenças batem à porta, a atitude mais comum é querer que o outro se adeque às nossas expectativas. Trata-se de um erro supergrave! Os especialistas no assunto garantem: não funciona modelar a personalidade por alguém! “As pessoas só podem se transformar por elas mesmas. Mudar por exigência alheia tem a ver com falta de amor próprio, carência ou até medo de ficar sozinho”, ressalta Marina. Então, vale lembrar, se você e o seu parceiro são totalmente diferentes, terão de resolver as situações desafiadoras do cotidiano de outra maneira. “Não exigir do companheiro mudanças drásticas é importante para ter uma relação sólida e feliz.”




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