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Comportamento / Representatividade

Profissionais falam sobre a representatividade negra e os desafios para artistas negros na música

Os profissionais ressaltaram os desafios e dificuldades enfrentados no mercado musical

Máxima Digital Publicado em 24/11/2021, às 13h00

Profissionais falam sobre a representatividade negra e os desafios para artistas negros na música - Divulgação
Profissionais falam sobre a representatividade negra e os desafios para artistas negros na música - Divulgação

O Brasil é o país fora do continente africano com a maior população negra do mundo. No entanto, a mídia nega espaços e oportunidades para essa parcela da sociedade.

Na música, o quadro é um reflexo da vivência social e é preciso discutir sobre a representatividade negra nessa indústria, lutando pela protagonização, visibilidade e sucesso das pessoas negras.

Para Lucca, cantor e empreendedor do ramo, o mercado da música atualmente se encontra abrindo as portas com as oportunidades para artistas negros, mas ressalta que há um desafio no caminho que envolve questões de discriminação racial.

"De um lado temos os artistas recebendo orçamentos de marketing, promoções e afins e do outro, temos as músicas mais tocadas digitalmente pertencentes a artistas negros, com sucessos de streamings no funk, hip hop, samba e mais recentemente o rap, isso se tratando do mercado musical nacional. Ficamos extremamente felizes em ver o lugar que eles estão ocupando, como MC Dricka, MC Rebecca e Borges estampados em um dos principais telões da Times Square, em Nova Iorque; isso reforça cada vez mais que estamos no caminho certo! Mas é importante ressaltar que mesmo assim o caminho a ser trilhado é infinitamente mais difícil para artistas negros, pelo racismo e tudo que o envolve", contou Lucca.

É possível enxergar a existência de uma representatividade negra na indústria da música, mas que para uma personalidade negra a dificuldade é maior na exigência e aceitabilidade do público, como conta o DJ Rennan da Penha.

"Não podemos negar que a representatividade negra na indústria musical vem ocupando seu devido espaço. Hoje, temos grandes sucessos musicais que levam o nome de pessoas negras, contudo, ainda existem diversas lacunas abertas. Quanto se trata de uma personalidade negra, a aceitabilidade do público e exigência na entrega são muito maiores e sem espaço para erros, não só do público mas também de gravadoras, veículos midiáticos e afins", explicou ele.

Para Luan Murilho, cantor e produtor musical do Whinderson Nunes, apesar dos desafios enfrentados, há grandes talentos e nomes surgindo, e essa representatividade irá avançar ainda mais.

"Existem grandes nomes que vem fazendo a diferença há anos, e outros que estão surgindo. Acredito que a cada dia avançamos um pouco mais na importância de dar voz aos artistas negros. Por isso, é necessário sim que os grandes veículos de comunicação e mídia falem mais sobre isso. Grande exemplo é a cantora Ludmila, que em 25 anos do evento, foi a primeira negra a receber um prêmio específico; ou a Iza alcançando o patamar de apresentar o programa de TV, 'The Voice Brasil' como jurada", explicou.

São muitos os desafios encontrados pelos artistas negros nesse mercado musical, principalmente pelo fato de existir um racismo enraizado na cultura brasileira, que gera em consequência uma maior desigualdade. Além disso, a falta de oportunidade para pessoas negras inviabiliza a ascensão de grandes talentos na música. Dessa forma, o empresário Leonardo Gomes comenta que a criação de uma empresa representativa foi pensada com o objetivo de gerar oportunidades para esses artistas.

"Nós criamos a nossa gravadora/produtora com o objetivo de dar oportunidade aos talentos que não eram enxergados e valorizados pela indústria musical. Vale ressaltar que muitos desses talentos estão espalhados pelas comunidades do Rio de Janeiro, temos um olhar bem atento quanto a isso. Queremos levar às pessoas a oportunidade de viver o sonho e de fato concretizá-lo. E sim, a representatividade negra em nossa empresa foi e é um fator essencial. Atualmente, temos seis artistas na gravadora e cinco deles são negros, ou seja, mais que 50% do casting; isso sem contar toda a equipe que fica em off", esclareceu Leo.

Os profissionais do ramo musical ressaltam ainda que os artistas negros busquem estudar bastante e aperfeiçoar sua arte, entendendo tudo sobre os direitos e deveres que vem junto com a carreira artística, e claro, sempre acreditar e correr atrás de seus sonhos.

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