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Comportamento / Mães e filhos

Samara Felippo abre discussão sobre tabu da maternidade: ''Solidão''

Especialistas explicam o sentimento de solidão da maternidade e dão dicas para ajudar as mães

Mirella Cordeiro Publicado em 10/05/2019, às 15h00 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

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Samara Felippo e as filhas Alicia e Lara - Daydreamfotografia
Samara Felippo e as filhas Alicia e Lara - Daydreamfotografia

Samara Felippo é mãe de duas meninas e tem usado suas redes sociais para falar sobre suas vivências da maternidade. A atriz já surpreendeu, por exemplo, ao abordar temas como divórcio envolvendo crianças e as dificuldades de abrir mão de desejos pessoais. Recentemente, ela dedicou um post para solidão materna.

Junto a três fotos dela sozinha, escreveu: “Tenho uma rede de apoio. Mãe e amigos. Tenho uma pessoa incrível e de confiança que me ajuda nessa jornada diária com duas crianças, mas a solidão que falo aqui é uma solidão emocional, uma exaustão psicológica. Das decisões emocionais das duas. Dos dilemas. Das escolhas. Às vezes quero berrar pro mundo: ‘Não sei o que fazer! Como atua nessa área de mãe?’”

Várias seguidoras se sentiram contempladas pelas palavras de Samara. Uma delas escreveu: “Falou tudo. Temos tanta responsabilidade por nossos filhos que isso não nos deixa em paz. A cabeça nunca mais para. É tão difícil... Me sinto assim também, exausta.”

SOLIDÃO MATERNA

Diante da repercussão, Máxima Digital pediu para a psicóloga Ellen Moraes, especialista em terapia cognitiva comportamental, explicar o que é este sentimento: “Solidão materna é a sensação de estar sozinha e ser a única responsável por alguém após a maternidade. Geralmente começa depois do parto e pode perdurar o resto da vida materna.”

Um dos motivos é que, normalmente, a mulher fica sobrecarregada com as decisões do filho. Samara Felippo exemplifica bem essa angústia: “É muita ‘responsa’ decidir pela vida de outro, uma escolha sua afeta toda a vida deles. Um hábito seu é sugado por eles.”

Além disso, a especialista diz que, após o nascimento da criança, a mulher já se sente naturalmente abandonada: “Seja pela vida que carregava dentro si e que agora vive independente dela, seja porque as pessoas ao redor se preocupam com a criança e poucos param para observar essa mulher que agora perde um pouco de sua identidade anterior.”

Já Lívia Marques, que é psicóloga com foco em terapia cognitiva comportamental,  acrescenta que as redes sociais e a mídia também contribuem para a inquietude da mãe: “O glamour passado faz com que a sociedade romantize e crie um estereótipo de maternidade que não é real.” Com isso, pode ser que a mulher busque se encaixar nesse padrão que nem sempre é verdadeiro.

AJUDE UMA MÃE

Mesmo que você não tenha filhos, pode ajudar uma mãe a não se sentir tão sobrecarregada com as tarefas. Uma das formas de amparar a pessoa é se oferecer para ficar com a criança enquanto ela toma banho, por exemplo. 

“Vai visitar? Leve um lanche... Pergunte se tem algo a ser feito em casa. Se ofereça para lavar uma louça”, sugere Livia, ressaltando que algumas atitudes podem auxiliar muito. 

Já Ellen diz que o pai da criança deve estar ciente de que as responsabilidades precisam ser divididas: “Não ofereça apenas ajuda, vá e faça”, conclui.