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SETEMBRO AMARELO: Psicanalista fala sobre suicídio de celebridades, vícios, depressão, prevenção, tratamento e pede atenção

A psicanalista Sandra Hott explica o porque pessoas como Kurt Cobain, Robin Willliams e Marilyn Monroe podem ter tirado a própria vida

Juliana Gardesani com supervisão de Marina Pastorelli Publicado em 08/09/2020, às 13h46

Psicanalista fala sobre suicídio, vícios, depressão, prevenção e tratamentos
Psicanalista fala sobre suicídio, vícios, depressão, prevenção e tratamentos - Instagram

SETEMBRO AMARELO - Por quê é tão importante olhar para este mês?

Para quem não sabe, o 'Setembro Amarelo' aborda 30 dias de atenção à depressão, vícios, ansiedade e principalmente, ao suicídio. 

Em tempos de pandemia da COVID-19, o novo coronavírus, muitas pessoas que tem um quadro de doenças emocionais, se viram em um cenário um tanto quanto grave por não poderem sair de casa, ter que manter um isolamento social à risca e conviver com um vírus ainda sem vacina circulando pelo mundo.

Mas, temos que ressaltar que não é de hoje que convivemos com o suicídio.

Alguns exemplos de que, nem sempre 'a vida perfeita' que é na televisão, redes sociais e na mídia são reais - muito pelo contrário.

Famosos como Kurt Cobain, Robin Willliams e Marilyn Monroe são apenas uma pequena porcentagem no mundo das celebridades que se suicidaram, e, muitas vezes, passaram a imagem para o público de uma vida de conto de fadas.

Recentemente, o ator Flávio Migliaccio, de 85 anos, ex-global, se suicidou segundo o boletim de ocorrência feito pela quarta companhia do 35º BPM (Itaboraí). Ele chegou a deixar uma carta de despedida, enfatizando que não conseguia mais conviver com a situação atual do Brasil.

Nós, da Máxima Digital, conversamos com uma profissional especialista em 'doenças da alma', para entendermos o que se passa na cabeça de uma pessoa depressiva, viciada e infeliz. A psicanalista e professora Sandra Hott colocou seus 25 anos de experiência clínica na mesa e esclareceu alguns pontos cruciais sobre o suicídio.

MÁXIMA: Temos a ilusão de que famosos levam uma vida perfeita, mas essa não é a realidade. A exposição pode deixá-los mais vulneráveis em relação ao suicídio?

Sandra Hott:"O suicídio está presente em diversas classes sociais dentro de uma cultura e a diferença parece ser a visibilidade que pessoas famosas têm. No mesmo dia em que cada um dos famosos citados suicidou-se, muitos outros também o fizeram, mas permaneceram invisíveis para o público. O fato da morte ter sido deliberadamente buscada é bastante chocante, mas são visíveis no caso de ídolos midiáticos. Existe uma expectativa de felicidade absoluta para as pessoas com fama que nem sempre correspondem à realidade".

MÁXIMA: Drogas, depressão, vícios podem desencadear a depressão?

Sandra Hott: "Pensemos de modo inverso: o que leva um sujeito a buscar alívio para sua dor através de drogas que, afinal, podem igualmente gerar mais dor? Pensar nas causas que levam à essa busca é de grande importância. O abuso de substâncias pode inclusive levar à morte e a dependência química é um sofrimento, uma patologia que precisa de tratamento especializado".

MÁXIMA: Falar sobre suicídio ainda é um tabu?

Sandra Hott:"A escolha deliberada que ocorre nesse tipo pode ser entendida como uma busca desesperada por alívio à uma dor imensa. O sujeito tenta parar de sofrer, parar de sentir angústia e mal-estar através de um ato radical e irreversível. É necessário falar sobre isso e divulgar os indícios e a necessidade de direcionar a pessoa para o cuidado profissional de saúde mental. O movimento 'Setembro Amarelo' aponta a urgência em dar visibilidade aos sinais e à busca por ajuda profissional".

MÁXIMA: Quais os sinais que se dá antes de cometer o suicídio?

Sandra Hott:"É comum pensarmos em quadros de tristeza profunda e de afastamento social como sinais importantes. A perda da capacidade de sonhar, de desejar, de se vincular às atividades, antes prazerosas, são fatores que podem ser indícios bastante claros. Porém, muitas vezes os sinais estão submersos sob o sorriso e uma vida aparentemente feliz e apenas uma escuta especializada poderá detectar o sofrimento por traz da máscara feliz".

MÁXIMA: A pandemia pode ser um fator que pode desencadear o suicídio?

Sandra Hott: "O isolamento social é oportunidade única para que as pessoas possam se olhar mais de perto. Muitas famílias e amigos experimentaram uma maior proximidade e em outros casos houve a precipitação de crises. Problemas que são vivenciados nesse momento histórico na verdade já estavam ali, submersos nas atividades do dia a dia. A pandemia em si não desencadeia suicídios, mas o isolamento e o contato com o mal-estar, o distanciamento de pessoas que eventualmente poderiam perceber algum risco, isso, sim, poderia responder por eventos trágicos".

MÁXIMA: Como amigos e parentes podem ajudar?

Sandra Hott:"Intimidade combina com vulnerabilidade e estamos num tempo em que os afetos são entendidos com o algo deselegante e inadequado. A proximidade é um caminho importante para se perceber que alguém precisa de ajuda especializada. Carinho e colo são fundamentais, mas insuficientes para a prevenção do suicídio".

MÁXIMA: Quais profissionais de saúde devem ser procurados para ajudar?

Sandra Hott:"Situações de urgência devem ser imediatamente encaminhadas para alguma unidade de saúde. Os profissionais preparados diretamente para o tratamento do quadro são os psicanalistas, psicólogos e psiquiatras, cada um na sua abordagem".

MÁXIMA: Como é feito o tratamento?

Sandra Hott: "Psicanálise e psicoterapias podem ajudar na origem do sofrimento e ao longo do tempo levar o sujeito a trocar a miséria afetiva e o desespero por alguma felicidade possível. O uso de psicofármacos pode ser necessários para dar um apoio maior neste processo".

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"É fundamental ressaltar que o risco de suicídio precisa ser entendido na dimensão de urgência que representa. Pessoas bem intencionadas podem ser levadas a crer que um abraço e colo possam bastar. Suicídios podem ocorrem em atos abruptos, mas por certo muito antes disso o sujeito tentou emitir um pedido de socorro e não pode ser ouvido. É importante que a sociedade fale sobre esses riscos e sobre prevenção", finalizou a professora.

Muitas vezes, não olhamos para as pessoas que estão próximas de nós. Um familiar, um amigo, um colega de trabalho e até mesmo o(a) cônjuge pode estar passando por algum sofrimento, calado, amargurado e com pensamentos suicidas. Converse mais com as pessoas que ama. Apresente um novo olhar sob a vida. Ajude e busque ajuda.

 

 

 

 

 

 

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