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Coronavírus / Vacina

Médico desmente fala de Jair Bolsonaro e explica que vacinas contra a covid-19 não devem ser associadas à Aids

À Máxima Digital, o Dr. Fábio Jennings disse que todos os estudos com intervenções médicas passam por protocolos rigorosos

Máxima Digital Publicado em 25/10/2021, às 15h20

Médico desmente fala de Jair Bolsonaro e explica que vacinas contra a covid-19 não devem ser associadas à Aids - Instagram
Médico desmente fala de Jair Bolsonaro e explica que vacinas contra a covid-19 não devem ser associadas à Aids - Instagram

Na última quinta-feira, 21, o presidente Jair Bolsonaro deu uma declaração bem polêmica em sua live semanal. Na ocasião, o representante do país associou as vacinas contra a covid-19 a um desenvolvimento da Aids. 

Fábio Jennings, médico reumatologista da Universidade Federal de São Paulo e membro Executivo da Sociedade Brasileira de Reumatologia, conversou com a Máxima Digital e explicou o porquê a fala de Bolsonaro é equivocada. 

"O presidente da república durante uma live semanal citou um suposto estudo britânico que associaria as vacinas contra o SARS cov2 com 'desenvolvimento mais rápido da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)'. Nessa fala do presidente vários equívocos podem ser apontados.", começou. 

O especialista explicou como funcionam os processos até que algum método chegue à população: "Todos os estudos com intervenções médicas, sejam medicamentos ou vacinas, seguem protocolos e fases rigorosos para o desenvolvimento. Inicialmente, são testes em laboratório (in vitro) até as fases em seres humanos para definir segurança e eficácia das substâncias em testes. Todas as vacinas em uso seguiram esses passos mostrando eficácia contra o desenvolvimento de casos graves e mortes por COVID 19. E, acima de tudo, as vacinas mostraram padrão de segurança, sendo que os efeitos adversos relatados não foram graves, na sua grande maioria."

Dr. Fábio falou sobre sua experiência pessoal com as vacinas: "Pessoalmente, participei do Estudo da Vacina de Oxford no Brasil a partir de julho/2020 e segui os protocolos do estudo observando o rigor e ética na condução das pesquisas.".

"Não existe nenhum estudo associando as vacinas para SARS cov2 com o desenvolvimento de infecção ou aceleração de casos de AIDS. Essa notícia foi retirada do ar por autoridades do Reino Unido por se tratar de informação falsa.", declarou.

O médico continuou: "Por outro lado, há recomendação pelo próprio Ministério da Saúde, seguindo diretrizes internacionais, que orienta pessoas vivendo com HIV a se vacinarem com as duas doses das vacinas e realizar a dose de reforço após 28 dias da segunda dose. Com isso, notamos que a fala do presidente vai contra as recomendações do ministério que trabalha no seu mandato. Além disso, há uma estigmatização das pessoas que vivem com HIV aumentando as barreiras no controle dessa outra condição.".

"Atualmente, temos várias vacinas eficazes em uso, além daquelas para SARS cov2, como a vacina para Hepatite B, para Febre Amarela e para poliomielite. Com discursos anti-vacinas, há o desencorajamento da população em relação a vacinas que já estão em uso há décadas e que têm um grande impacto na saúde pública reduzindo infecções e as possíveis consequências desastrosas desses vírus.", disse. 

Por fim, ele declarou: "No momento em que o Brasil passa dos 605 mil mortos por COVID19 sendo a segunda nação em número de vítimas e que só conseguimos uma inflexão da curva da pandemia às custas dos efeitos protetores das vacinas, a fala do mandatário do país é no mínimo irresponsável.".

A fala de Bolsonaro repercutiu de uma maneira negativa no mundo todo. O Facebook e Instagram se pronunciaram e tiraram a live do ar. 

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