Máxima
Facebook MáximaTwitter MáximaInstagram MáximaGoogle News Máxima

A genética da metabolismo

Decifrando o perfil de cada um é possível prevenir e tratar doenças, além de obter resultados muitos melhores nas dietas de emagrecimento e na manutenção do peso

Carmen Cagnoni Publicado em 01/12/2015, às 10h50 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

Alterações na sequência do DNA para identificar se o individuo nasceu com metabolismo lento, tendência ao acúmulo de gordura, à fome excessiva ou à obesidade - Shutter Stock
Alterações na sequência do DNA para identificar se o individuo nasceu com metabolismo lento, tendência ao acúmulo de gordura, à fome excessiva ou à obesidade - Shutter Stock

O futuro já é presente e a ideia de antecipar tendências e problemas de saúde, como obesidade e diabete, já é uma realidade nos consultórios médicos. O método é baseado em alterações na sequência do DNA para identificar se o individuo nasceu com metabolismo lento, ao maior acúmulo de gordura, à fome excessiva ou à obesidade. “Estamos apenas começando a compreender essa influência, mas sua aplicação na vida das pessoas está cada vez mais comum. Esse vasto conhecimento já se encontra disponível para nos auxiliar a combater problemas tão comuns hoje, como diabete, intolerância a lactose e doença celíaca”, comenta a endocrinologista Juliana Bicca, membro da organização internacional Endocrine Society e pesquisadora em Neuroendocrinologia na Columbia University (EUA).

GOTA REVELADORA
Tudo começa com a coleta de uma amostra de saliva para a realização de uma busca ativa pela presença dos SNPs (Single Nucleotide Polymorphism). Com o relatório que indica quando e como esses agentes estão presentes no DNA do individuo, o médico avalia se houve ou não alteração genética e quais as implicações clínicas disso. “Já nascemos com essa informação, entretanto nossos hábitos, como alimentação, prática de atividade física e tabagismo, entre outros, podem silenciar ou ativar SNPs. Do ponto de vista da dieta ou suplementação, esse conhecimento nos permite, por exemplo, reduzir ou evitar o risco de que uma determinada doença se manifeste”, comenta a médica.

TERAPIA EXCLUSIVA

Segundo a endocrinologista, a aplicação da genética na dieta permite a individualização do tratamento. “A ideia é fugir da generalização, dos alimentos ‘amigos’ ou ‘inimigos’ do metabolismo, pois o que pode ser bom para um, pode ser ruim para outro”, comenta. A vantagem é encurtar o caminho entre a meta e o resultado, prevendo, através da análise do DNA,  a proporção correta de macronutrientes (proteínas, carboidratos e lipídios), vitaminas e alguns minerais, para a dieta de cada indivíduo e permitindo a elaboração de um plano alimentar que efetivamente atingirá o objetivo.

Além disso, essa análise também possibilita identificar qual é a relação ideal entre alimentação/atividade física/emagrecimento para cada pessoa. “Pela presença de algumas alterações genéticas, conseguimos descobrir se o individuo tem muita ou pouca perda de peso com exercício. Isso não invalida os benefícios da atividade física para a saúde, mas permite que a pessoa ajuste suas expectativas e dedique-se mais a outra meta”, explica a especialista.

A endocrinologista lembra, também, que a genética não é mais uma sentença definitiva: “Hoje, sabemos que é possível, por meio de tratamentos, dietas ou mudanças de hábito, ativar ou silenciar vias genéticas, modificando uma linha metabólica, modulando e até evitando o risco de doenças. Para isso, basta nos anteciparmos e nos tornarmos ativos nos cuidados com nossa saúde”, finaliza Juliana Bicca.

ACOMPANHE AS NOVIDADES MAIS QUENTES DO MUNDO DOS FAMOSOS PELO INSTAGRAM TAMBÉM. CLIQUE AQUI