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Ex-pastor e militar, caminhoneira trans vira tema de desfile de moda aos 70 anos

Aos 70 anos, ex-pastor e atual caminhoneira transsexual vira tema de desfile de moda

Máxima Digital Publicado em 12/09/2019, às 12h24 - Atualizado às 15h10

Afrodite, caminhoneira trans de 70 anos
Afrodite, caminhoneira trans de 70 anos - Divulgação

Após seis décadas escondida, seja na farda ou no terno de pastor, o verdadeiro eu, Afrodite se libertou.

Quem via Heraldo no exército, com a filha nos braços, na boleia do caminhão ou diante de um altar evangélico, não imaginava que dentro daquele corpo de homem, uma mulher esperava para nascer. Ela ficou por ali, sempre nos detalhes, nas lingeries sob a roupa, durante 68 anos até enfim conseguir se libertar, assumindo-se como uma mulher transgênero. 

Hoje, aos 70, Afrodite Almeida Araújo, nome escolhido em referência à deusa do amor, além de dirigir um caminhão pelas rodovias do país com roupas femininas, ela também ganhou espaço no mundo da moda.

A marca paulistana de roupas Ken-gá lançou em julho deste ano a coleção “Boleia Mística”, inspirada nessa mulher com trajetória cercada de muitas barreiras do preconceito, mas que não desistiu de desbravar o país de salto alto. 

Lívia Barros e Janaína Azevedo, as criadoras da Ken-gá, tiveram o primeiro contato com a história da caminhoneira há três anos. Foram várias tentativas de contato até conseguirem trazer Afrodite para as passarelas. Quando enfim conseguiram inseri-la no último desfile, a caminhoneira do Paraná encarou o desafio como mais uma estrada a ser trilhada. Vestiu a grife que traz peças inspiradas no universo “cowgirl” e marcou a história do evento.

"A Afrodite estava muito emocionada e ela, quando fica emocionada, fica muito silenciosa. O Backstage foi tomado pela emoção, principalmente nos 30 minutos em que a fila para o desfile foi formada. Assim que ela entrou para fechar o desfile, um sorriso - que começou tímido - se transformou em um dos momento mais bonito, e marcante, da 45ª edição da Casa de Criadores", declarou Janaína.

Agora, em nova oportunidade de contar mais sobre Afrodite e mulheres que sentem na pele o preconceito, as peças que fizeram parte do desfile ganharam espaço em uma exposição exclusiva. Os looks da coleção ficam disponíveis para exibição até o dia 14 de setembro na Galeria Melissa. 

E não para por aí! Nesta quinta-feira, dia 12, será exibido o documentário com relatos emocionantes de Afrodite. A produção audiovisual servirá como ponto de partida para um talk sobre empoderamento as minorias, feminismo, racismo e LGBTQI+.