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Após Mayra Cardi relatar relacionamento abusivo, debates e dúvidas sobre o assunto aumentaram; Psicóloga ensina a identificar um

Alessandra Augusto, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, fala sobre o comportamento e como identificar um abusador

Letícia Couto Publicado em 14/07/2020, às 13h50

Entenda como funciona o tratamento desses casos.
Entenda como funciona o tratamento desses casos. - Freepik - Criado por 'yanalya'

Você sabe como identificar um relacionamento abuso? Algumas pessoas tendem a associar a violência física, mas há grandes diferenças.

Recentemente, o assunto ganhou ainda mais relevância após Mayra Cardi utilizar as redes sociais para relatar os abusos que sofreu durante os anos de relacionamento com o ator, Arthur Aguiar.

Em um de seus desabafos, Mayracontou alguns detalhes do que passava com o ex-marido. "Você é um abusador e não é pelas traições (...) É da maquiagem que você não gosta, da altura da minha voz que você não gosta. É do jeito que eu me mexo demais que você não gosta. É de tudo que eu faço que nada está bom. É do jeito que você quer, na hora que você quer", falou.

Em entrevista, a psicóloga Alessandra Augusto, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e mestre em Psicologia Clínica, e também, autora o capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” do livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você!”, explica o que é e como identificar um relacionamento abusivo. 

Confira:

MÁXIMA DIGITAL: O que é relacionamento abusivo?

ALESSANDRA AUGUSTO:"Relacionamento abusivo é qualquer relação onde haja o abuso físico ou emocional, onde há restrição das necessidades básicas, como ir e vir. Aonde  dentro dessa relação, pelo poder sobre o outro, ele desqualifica e capacita a outra pessoa. Qualquer  relacionamento, onde há um convívio entre as partes ele é passível de ser um relacionamento abusivo, e ele não se restringe somente a casamento e namoros, qualquer convívio pode ser abusivo."

MÁXIMA DIGITAL: Quais os principais sinais de que se está em um relacionamento abusivo?

ALESSANDRA: "Todas  as relações passam por transformações, deveriam ser positivas, não destrutivas. As relações abusivas ela não começa com o abuso, elas são sedutoras, são manipuladoras, porem consciente. Elas têm jogos, elas têm ameaças e isso vai entrando em um crescente, objetivando esse controle, essa manipulação. Mas esse abusador ele não começa se mostrando, evidenciando essa forma abusada verbalizada, muito menos fisicamente. Quando a mulher se depara, ela já está nesse relacionamento, envolvida amorosamente e não percebe o quanto esta sendo abusada, por vezes por uma cultura, por viver no meio de abusos. E o abusador é convincente, manipulador, é controlador e começa com jogos amorosos, justificando o ciume intenso com muito amor, justificando uma fala dizendo que é para o bem. Por ora, ele usa o próprio exemplo, como 'vou deixar de fazer isso e você não quer deixar de fazer isso por mim', então a mulher não percebe muito bem, não fica muito claro, é difícil identificar esse abusador, ele é manipulador, então não fica muito claro e ela acaba envolvida. (...) Depois, esse abuso estende para o controle, onde vai ter controle nas finanças, nas atividades sociais, ele quer manipular o comportamento da mulher e podar a vida social, o ir e vir. Não tem culpa, ele vai fazer isso justificando, principalmente com o erro do outro, sempre."

MÁXIMA DIGITAL: Quem faz o abuso e quem sofre precisa buscar tratamento psicológico? Como é o tratamento?

ALESSANDRA:"Sim, quem faz e quem sofre o abuso precisa  fazer o tratamento. O abusador precisa fazer terapia a longo prazo, terapias em grupo funcionam bem, porque ali ele consegue perceber esse padrão abusador, mas precisa de um movimento, como disse antes, ele não reconhece, existe uma falta de culpa, ele manipula para fazer com que o outra entenda o que despertou isso nele. E o abusado, obviamente, ele tem o rebaixamento da autoestima,  ele entra em um quadro de depressão, ele se sente o incapaz, ela tem a autoconfiança destruída, porque busca em si, justificativas do erro do outro. Como podemos tratar essa vítima do abuso? Dentro da terapia, da psicoterapia, aonde vamos orientá-la a reestabelecer suas bases de segurança, os laços familiares, reestabelecer sua independência, as redes sociais, como falei um pouco antes, a autoestima. Se desvencilhar dessa dominação é difícil, mas na terapia conseguimos fazer com que ela entenda que relacionamento é confiança e não submissão."

MÁXIMA DIGITAL: É possível seguir e ser feliz após um abuso?

ALESSANDRA:"Dá para seguir após passar por um relacionamento abusivo, fazendo esse trabalho, empoderando essa mulher, fazendo com que ela se enxergue, se conheça, entendendo que ela não precisa estar nessa relação de dependência, onde ela não percebe muitas coisas. Quando ela sai desse relacionamento, ela consegue enxergar que ela vivia onde o outro estava manipulando, controlando, isolando, rebaixando. Até então, em alguns momentos desse relacionamento a vítima sequer percebe que é vítima, e depois ela se descobre, por um familiar ou um amigo, ou por esse relacionamento abusivo se tornar uma relação agressiva, e gerar uma violência." 

MÁXIMA DIGITAL: Como manter a harmonia com a família e reconquistar a confiança do parceiro e da família após o abuso?

ALESSANDRA:"Depende muito do grau, até onde esse relacionamento foi? Quanto agudo foi? Quais os danos causados? Entendendo que esse abusador, é difícil que ele se declare um abusador, até porque ele entende que ele não tem culpa, ele justifica a ação pelo comportamento do outro, porque ama muito. Então, preciso que o abusador entenda esse padrão, entenda esse comportamento. Depois que ele reconhece isso, é mais fácil que trabalhemos isso, com psicoterapia a longo prazo, que ele entenda que ele pode ter o conjugue, esposa ou namorada ao lado, sem precisar dominar. Relacionamento é confiança, não é domínio, não é submissão, e conseguimos fazer ele enxergar esse padrão para que consiga trabalhar na psicoterapia. É preciso que a vítima queira também esse relacionamento, entenda, busque junto e faça essa parceria com esse abusador. Mas, o relacionamento abusivo é tão destrutivo que muitas vezes o conjugue não quer mais. Quando ela sai desse relacionamento, fica evidente o quanto agudo chegou isso, que a vítima não quer retornar. E isso sim vai fazer com que esse abusador consiga reconquistar a confiança desse parceiro, voltar a harmonia da casa e a que a família não seja desfeita."

MÁXIMA DIGITAL: Qual a diferença de relacionamento abusivo e tóxico?

ALESSANDRA:"Um relacionamento tóxico, ele começa prazeroso, envolvente, sedutor e tem até uma relação de dependência aceitável. Mas como qualquer outra droga, ela acaba viciando, suga a energia do individuo, destrói a autoestima, cria uma dependência nessa relação e é viciante no início. A grande diferença da relação toxica, para a abusiva, é que a tóxica não corrompe o laço afetivo, ela  acontece, tem indivíduos que entram nessa relação e passam verdadeiros processos de abstinência, diferente da abusiva, onde mexo com o psicológico do individuo ao ponto dele sair do seu eixo e não conseguindo ver a vida pelos seus próprios olhos. No relacionamento toxico tenho esse envolvimento, mas ainda consigo ter a percepção do quanto estou envolvida e do quanto está me sugando."

MÁXIMA DIGITAL: Devido à cultura do machismo estamos acostumados a ver mais mulheres dizendo sofrer relacionamento abusivo. Homens também podem ser a vítima desse tipo de relacionamento?

ALESSANDRA:"Sim, os homens também passam por relacionamento abusivos, assim como alguns homens e mulheres passam dos limites e culturalmente a nossa cultura popular acabou naturalizando alguns comportamentos como feminino,  'ah! Isso é próprio de mulher', quais comportamentos? A invasão da privacidade, a perseguição, a posse, até mesmo algumas falas, como 'vou jogar água quente no seu ouvido se você chegar tarde" ou "vou cortar o seu pênis se você sair da linha", então essas falas e comportamentos foram naturalizados como femininos e não entendido como comportamentos de uma relacionamento abusivo. A violência física, psicologia, moral, patrimonial é inadmissível em qualquer gênero."


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