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Saúde e Bem Estar » Outubro Rosa

''A vida não muda, quem muda são as pessoas'', reflete mulher após 12 anos do tratamento contra o câncer de mama

Mulher que se curou do câncer de mama há 12 anos, conta dificuldades e desafios do tratamento da doença

Luisa Scavone Publicado em 08/10/2019, às 12h00 - Atualizado em 14/10/2019, às 12h28

Após 12 anos curada, Silvana Silveira relembra tratamento do câncer de mama
Após 12 anos curada, Silvana Silveira relembra tratamento do câncer de mama - Divulgação

O dia parece comum até que se perceba algo diferente, algo anormal que não faz parte do seu corpo.

Silvana Silveira foi um entre os 59.700 novos casos de câncer de mama que acontecem por ano no Brasil, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer). Ela foi uma entre as milhares de pessoas que enfrentaram o longo tratamento do tumor causado pela multiplicação das células da mama.

Nesse mês de Outubro, período do ano dedicado à conscientização das mulheres e da sociedade sobre a importância do diagnóstico preventivo, ela comemora o décimo segundo ano desde a cura do câncer.

O INÍCIO DE TUDO

O ano era 2006 e foi em um dia da semana como outro qualquer que Silvana percebeu uma anormalidade da mama direita: "Descobri basicamente com exame de toque, no banho mesmo'', contou. A partir daquela desconfiança, fez o primeiro exame no hospital.

Foram 15 dias de investigação e angústia até a espera do resultado: "É uma agonia até chegar o exame", lembrou ela.

Quando ele enfim chegou, foi descoberto: câncer de mama.

A notícia chocou não só ela, mas também sua família inteira. Silvana, mãe de dois filhos, passou alguns dias achando que alguém desmentiria o diagnóstico e diria que aquilo não estava acontecendo. Mas estava e era só o começo.

Foi quando se conscientizou de que duvidar e sofrer com o resultado não a levaria a nada. Transformou toda a ansiedade e preocupação em força de vontade.

LUTA CONTRA A DOENÇA

Nos primeiros dias de 2007, Silvana decidiu que veria a vida com outros olhos!

Ela estava viajando com os filhos, que na época ainda eram pequenos, e decidiu voltar para São Paulo. Resolveu enfrentar aquele furacão de cabeça erguida. Com o pensamento positivo, não se fez de vítima em nenhum momento.

Poucos dias depois de receber o resultado, ela já havia retirado a mama: "O perigo desse tipo de câncer é a metástase, que pode atingir os pulmões e o cérebro", explicou a paciente.

As coisas só estavam começando. A cirurgia não foi o maior de seus problemas. O furacão em si, estava nos passos subsequentes: a quimioterapia, que poderia debilitar muito, já que ela não sabia como seu corpo reagiria.

Durante todo o processo, os pensamentos positivos foram fundamentais para enfrentar a situação. A família estava sempre em festa e as amigas faziam questão de levá-la para sair quando iam visitá-la.

Para controlar os enjoos que sentia constantemente, passou a se alimentar de pipoca, gelo e picolé de limão.

Percebeu o corpo muito sensível também, principalmente a cheiros.

Silvana enfrentou também a queda de cabelo. Quando a quimioterapia já estava fazendo efeito, decidiu raspar de uma vez e passou a usar peruca. Encontrou a melhor delas, a que mais parecia com o seu cabelo de verdade e foi assim que começou a se acostumar com as mudanças físicas, consequências da doença.

Mas mesmo diante das dificuldades, continuou a fazer tudo o que fazia. Da sua maneira: "Foi um jeito de não me deixar levar pela doença", contou.

"Todos os dias eu pensava uma coisa que pode parecer esquisito: se fosse a hora de ir embora, eu ia. Mas não ia fácil. Daria trabalho e muito", disse, lembrando dos pensamentos que teve desde a descoberta da doença.

FIM DO FURACÃO

Como ainda era jovem e tinha o organismo muito resistente, já que sempre praticou exercício físico e se alimentou de forma saudável, a quimioterapia pôde ser mais forte.

Os resultados foram aparecendo aos poucos e tudo foi se acalmando. Ela contou com a --importante-- tranquilidade dos médicos e antes mesmo de começar a radioterapia, o câncer já havia sumido.

Foi um ano de tratamento. Um ano nada fácil, mas muito necessário e importante para toda sua família. Ela estava livre e tinha chegado ao fim daquele furacão.

APRENDIZADO

Silvana se recusa a dizer que 'venceu o câncer', porque não acredita que aqueles que infelizmente faleceram, foram 'fracassados'. Para ela, lutar contra o câncer já é uma vitória: "Algumas pessoas infelizmente vêm a falecer, mas elas lutaram durante o processo, talvez até mais do que eu", acredita.

Todo mundo imagina que após a luta contra o câncer a vida muda. Silvana diz que, na verdade, quem muda são as pessoas. Foi depois de toda a dificuldade que a mãe de dois filhos ficou muito mais calma, menos ansiosa e ranzinza. Quem mudou, foi ela!

Passou a viver a vida dia após dia, nunca deixando de fazer o que lhe dá prazer. Apesar de tudo, aprendeu que a palavra 'não' é libertadora e que não tem problema nenhum não ter vontade de fazer algo.

Aprendeu muito com tudo o que passou. O câncer trouxe muita preocupação e ansiedade, mas trouxe também conhecimento e mudança que foram fundamentais para a vida de Silvana.