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Saúde e Bem Estar » Transtorno Borderline

Após surto de Raissa Barbosa em 'A Fazenda', psicólogas explicam o que é o Transtorno Borderline

Alessandra Augusto e Livia Marques falaram sobre a doença, tratamento e cuidados

Gabriele Salyna Publicado em 16/09/2020, às 16h19

Psicólogas explicam o que é o Transtorno Borderline
Psicólogas explicam o que é o Transtorno Borderline - Instagram

Raissa Barbosa protagonizou um episódio em A Fazenda que gerou discussões entre os internautas. A vice Miss Bumbum ficou muito nervosa após ter sido indicada à Roça pelos demais peões da casa.

Ao verem o estado que a peoa ficou, sua família revelou que ela é portadora do Transtorno Borderline.

Com o intuito de esclarecer sobre a doença e falar sobre tratamento, cuidados e entender mais sobre o assunto, a Máxima Digital conversou com as psicólogas Alessandra Augusto e Livia Marques.

“O Transtorno Borderline é diferente de um transtorno de personalidade. Nós desenvolvemos nossas personalidades de acordo com nossas experiências sociais, familiares e nós vamos construindo nossa personalidade. O transtorno de personalidade Borderline tem uma característica de intensidade, ele é muito intenso nas suas emoções, sentimentos, pensamentos, convicções e crenças”, explicou Alessandra.

Com relação aos sintomas da doença, Livia esclareceu que o indivíduo demonstra sinais: “Ele pode ser caracterizado por vários sintomas, mas são pessoas que normalmente tem um comportamento com humor e relacionamentos instáveis. É interessante falar que essas pessoas normalmente passam por um processo de invalidação e vulnerabilidade emocional muito fortes no seu processo de necessidades básicas que constituem um sujeito. Os sintomas são instabilidade emocional, sensação de vulnerabilidade social, vulnerabilidade emocional, relacionamentos que são muito instáveis, questões limítrofes, ou seja, de seus limites abalados, por exemplo, falta de limites para compras, alimentos, uso de substâncias. É importante perceber isso. São pessoas que são inseguras, impulsividade muito forte.". 

Relacionando com o surto de Raissa no reality show, ambas concordaram que é possível que o paciente passe por esses momentos de estresse.

“Acho que é interessante a gente falar que essas pessoas podem se avaliar em uma situação que não estão sendo validadas, que não estão sendo ouvidas, que não veem suas necessidades sendo atendidas. Que elas simplesmente se desconectam da realidade e vivem nesse mundo delas, em um mundo em que essa pessoa está vulnerável, em que ninguém ouve essa pessoa, ninguém está fazendo o processo de parentalização dessa pessoa. O processo de conexão real.”, disse Livia.

Para Alessandra, a variação de humor pode ser o grande norteador das crises nervosas: “Por conta da variação emocional, é possível que ele surte em momentos de estresse. Ele passa do ódio, da raiva, para o amor em um curto espaço de tempo. Ele muda muito rápido, em pouco espaço de tempo. Nós podemos entender como um surto repentino, mas é uma característica desse transtorno, a oscilação emocional em um curto espaço de tempo.”.

“Esse indivíduo, na maioria das vezes, não percebe a intensidade nem a gravidade dos seus comportamentos. Ele não percebe sua intensidade emocional, que às vezes é muito discrepante para o que ele está vivendo. É marcado pelo excesso. O Borderline tem alguns padrões determinados. Ele traz uma instabilidade emocional e afetiva muito grandes e ele tem padrões de pensamentos distorcidos da realidade.”, completou Alessandra.

Com relação aos cuidados, Livia explicou: “A primeira coisa que precisamos fazer é um movimento de psicoeducar essa pessoa que tem o Transtorno Borderline, fazer com que ela entenda quais são os sintomas que ela possui, como que ela apresenta isso, fazer com que ela entenda o que são as variações de humor, quais são os tratamentos e buscar com ela pessoas que são de ambiente dela e que são confiáveis pra ela. Essas pessoas que ela tem como seguras podem fazer parte de uma rede de apoio. É importante dizer que, como essas pessoas têm dificuldade nos seus relacionamentos, pode ser difícil que essa pessoa consiga manter relacionamentos saudáveis. Isso não quer dizer que ela não tenha relacionamentos.”.

Sobre o tratamento, Livia afirmou que é preciso acompanhamento profissional: “O acompanhamento dele é feito com psicoterapia e, em alguns casos, é necessário o uso da medicação. Quando percebemos que a pessoa está tendo surtos e comportamentos de agressividade ou de machucar o próprio corpo, é importante que a gente faça uma intervenção mais rápida e incisiva”.

Alessandra citou a importância dos cuidados com esses indivíduos relacionados aos cuidados do Setembro Amarelo: “Estamos no Setembro Amarelo o qual estamos pedindo uma atenção maior aos casos de ideação suicida e também os indivíduos de Transtorno Borderline também trazem essa ideia, como ele tem comportamentos discrepantes com as situações, ele vai ter atitudes de desapego à vida. Ele vai fazer coisas que coloquem em risco sua vida, vai fazer sexo sem proteção, vai abusar no álcool e na droga e vai vir com as tentativas de suicídio.”.

Por fim, Livia falou sobre a importância da inclusão desses pacientes na sociedade: “Precisamos entender que validar emoções é muito importante e entender que pessoas com Transtorno Borderline são pessoas produtivas, que podem ter uma vida profissional. O Transtorno Borderline tem tratamento. Nos não podemos fazer um processo de nos afastarmos dessas pessoas. O preconceito é muito mais forte e nós precisamos falar sobre isso”.  

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