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Saúde e Bem Estar / Menopausa

Menopausa: personagem de Andréa Beltrão traz debate importante para quebra de Tabu

A personagem de Andréa Beltrão em 'Um Lugar ao Sol' abre essa importante discussão na sociedade

Máxima Digital Publicado em 14/03/2022, às 11h40

Menopausa: personagem de Andréa Beltrão traz debate importante para quebra de Tabu - Instagram
Menopausa: personagem de Andréa Beltrão traz debate importante para quebra de Tabu - Instagram

O universo feminino e suas particularidades vem conquistando cada vez mais espaço e oportunidades para debates importantes em programas de TV, revistas e conversas entre amigos. TPM, menstruação, gestação, pós-parto, menstruação, tudo isso vem sendo discutido cada dia mais, graças ao esforço coletivo feminino em dar voz para questões importantes e promover o autoconhecimento.

Porém, existe um assunto que faz ou fará parte da vida de toda mulher, mas é pouco falado: a menopausa. E, devido a este ‘tabu’, muitas mulheres chegam a esta fase da maturidade sem muita informação, não sabendo identificar os sintomas e como tratá-los para amadurecer mantendo uma boa qualidade de vida.

O corpo feminino e as mudanças que ele passa durante o ciclo de vida da mulher sempre foram tratados como temas sigilosos na sociedade, como a primeira menstruação, o desejo feminino, e a chegada da menopausa foram ensinados a serem guardados a sete chaves. Com isso, a mulher cresce com vergonha de se conhecer melhor e trocar experiências.

Agora, a menopausa vem ganhando voz por meio da personagem Rebeca, interpretada pela atriz Andréa Beltrão, na novela Um Lugar ao Sol. Na trama, porém, a personagem está passando pela menopausa e, assim como muitas mulheres, sente vergonha do que está acontecendo com o seu corpo por considerar a fase como um "recibo do envelhecimento", como ela própria costuma afirmar na novela.

Enxergando essa dor das mulheres em menopausa, a economista e psicanalista, Márcia Cunha, teve a ideia de lançar uma plataforma que trouxesse informações sobre a menopausa, e fosse uma rede de acolhimento e troca de experiências.

"Para fundar a Plenapausa, conversamos com centenas de mulheres, e foi até um choque ouvir alguns sentimentos, foram frases muito marcantes, como: 'Falar disso é dar atestado da idade, então eu prefiro não falar', 'Me sinto jogada na vala', 'meu marido vai me trocar'. Agora, estamos acompanhando os sentimentos que envolvem a mulher nesta etapa da vida, por meio da personagem Rebeca. A cena dela no analista, falando que ela não era mais reprodutiva e que ela não tinha mais função, me remeteu a muitos feedbacks que tive por meio das conversas que promovemos. Eu não tinha acesso a esse lugar, pois ainda não cheguei na Menopausa, mas quando conversamos diretamente com centenas de mulheres, identificamos uma grande dor — a desinformação sobre esta fase. O que me fez pensar que, nós mulheres também precisamos nos preparar para esse momento, a informação e a troca de vivências é o melhor caminho", contou Márcia, fundadora da primeira plataforma no Brasil que traz informação, soluções e acolhimento durante a menopausa.

Os primeiros sinais da menopausa podem ser percebidos a partir dos 40 anos, no chamado período de "climatério", onde os sintomas mais comuns são cansaço, alterações de humor, insônia, problemas emocionais (como ansiedade e depressão) e baixo libido. O período do climatério, pré-menopausa até a pós menopausa, pode durar de 10 a 30 anos. Ou seja, 1/3 da vida da mulher é vivida dentro deste processo.

Além dos sintomas fisiológicos, as mulheres passam por grandes mudanças psicológicas e emocionais. De acordo com os dados da avaliação gratuita da Plenapausa, em que entrevistaram mais de 2.100 mulheres, 81% se sente depressiva e/ou com ansiedade, 87% se sente instável emocionalmente e 56% sente-se menos produtiva no trabalho.

"Além de todos os sintomas que são típicos da menopausa, geralmente nesta faixa etária a mulher está passando por outras mudanças em suas vidas, muitas vezes os filhos estão saindo de casa para cursar faculdade ou casar, a vida conjugal não tem o mesmo desempenho, acontece a transição ou fim de uma carreira, isso, associado ao início da menopausa, o estigma da reprodução, machismo, etarismo, preconceitos, podem deixar essa mulher ainda mais abalada e confusa. E muitas vezes mais solitária, ter que parar e olhar para si é um pouco assustado, principalmente para aquelas que passaram até aqui cuidando do outro", explicou Márcia.

Outro ponto, é que a mulher fala pouco sobre a menopausa com seu ciclo de amigas ou familiares, muitas mulheres que ainda não estão nesta fase não querem pensar nisso, pois isso a fazem pensar no envelhecimento também, e as mulheres que já passaram pela menopausa foram ensinadas que era uma fase e que tinham que aguentar, sem buscar melhorias para esse período.

"Temos relatos de mulheres que contam que ao buscarem profissionais da área da saúde, como médicos, ouvem que 'é uma fase, e é assim, mesmo, temos que aguentar'. Mas elas não estão mais dispostas a ouvirem este tipo de resposta, mas para isso precisam e querem se informar, e aí entra nosso principal papel que é informar para que ela tenha opção e possa fazer suas escolhas, buscar alternativas por tratamento para o alivio dos sintomas", disse.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que indicam que, até 2030, seremos 1 bilhão de mulheres atravessando a menopausa. Este é mais um fator importante para olhar e falar do assunto de maneira mais aberta e sensível, já que é um período em que todas as mulheres viverão e por muitos anos.

"Queremos desmistificar a Menopausa, fazer com que esse tema seja debatido entre nós mulheres, e sem a vergonha que a sociedade nos fez sentir até aqui, e possibilitar que a nova geração chegue a este momento com mais informação e, consequentemente, encare com maior tranquilidade, sem vergonha e sem tabu, e possam viver o climatério e a pós menopausa com plenitude, olhando também para a prevenção da saúde da mulher nos anos seguintes. É um movimento ainda novo, mas crescente. Uma personagem no ar debatendo esse tema, mostrando isso para um grande número de mulheres é essencial para alcançarmos esse objetivo e conquistar uma qualidade de vida melhor para todas nós", pontuou Márcia.

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