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Saúde e Bem Estar » Semana da saúde mental e física

MÊS DA MULHER: A cobrança pela perfeição pode comprometer sua saúde mental; entenda o que é a Síndrome da Mulher Maravilha

Em uma conversa exclusiva com a Máxima Digital, a psicóloga Karen Brito explicou como a questão influencia na vida das mulheres

Gabriele Salyna Publicado em 02/03/2021, às 12h12

MÊS DA MULHER: Entenda o que é a Síndrome da Mulher Maravilha
MÊS DA MULHER: Entenda o que é a Síndrome da Mulher Maravilha - Freepik

Você já tentou ser perfeita?

Um corpo, profissão, família, status. Tudo deve ser perfeito. Diariamente, as mulheres batalham por espaços e recebem cobranças para desenvolverem todos os papéis de sua vida de maneira impecável.

Quase como um robô, elas são cobradas de desempenhar atividades sem precisar de ajuda, chegando a uma exaustão emocional. Esse processo é conhecido como Síndrome da Mulher Maravilha.

A incessante busca e cobrança pela perfeição em todos os âmbitos fazem com que a saúde mental das mulheres fiquem prejudicadas. Esse processo precisa receber uma atenção e um tratamento especial.

A sociedade cobra esse tipo de comportamento. Na estrutura atual, elas batalham diariamente para conquistar seu espaço e chegam a um nível de esgotamento mental.

A Máxima Digital conversou com a psicóloga Karen Brito, especialista em Saúde Mental e Terapia Cognitivo Comportamental, para entender o que é essa Síndrome, como ela é diagnosticada e como podemos entrar na batalha para que a sociedade entenda que as mulheres não devem ser perfeitas.  

MÁXIMA DIGITAL: O que é a Síndrome da Mulher Maravilha?

KAREN BRITO:A Síndrome da Mulher Maravilha é um nome dado a um conjunto de sintomas que está relacionado a uma crença social de que a mulher deve ser perfeita em todos os âmbitos da vida dela. Essa Síndrome não é identificada como uma patologia, mas como os transtornos provenientes a ela.

MÁXIMA: Como ela pode ser prejudicial para a saúde mental de uma mulher?

KAREN:Por conta do desgaste emocional pela perfeição. Ter um belo corpo, ter sucesso na profissão, na carreira, na maternidade. Isso acaba que ocasiona em um esgotamento físico e mental, porque é humanamente impossível dar conta de tudo. A gente precisa internalizar que não nos define como incapazes, muito pelo contrário, define que nós temos limitações e precisamos respeitá-las, justamente porque o outro também precisa cumprir com suas obrigações e priorizar sua saúde mental acima e qualquer coisa.

MÁXIMA: Como identificar se eu tenho a Síndrome da Mulher Maravilha?

KAREN:O primeiro passo é perceber se eu estou assumindo mais responsabilidades do que eu consigo assumir. O segundo é saber se eu consigo dizer ‘não’, porque se eu começo a aceitar tudo e assumir várias obrigações, eu me coloco em uma situação de sobrecarga e, em algum momento, isso vai me desgastar. Então, se você se percebe mais cansada, mais irritada, mais ansiosa, desmotivada para cumprir com todas essas obrigações, é um sinal de alerta. Acredito que nós, mulheres, precisamos sempre lutar para ocupar espaços, então isso ficou muito enraizado inconscientemente, então parece que, quando a gente não se esforça, no sentido de lutar, se sacrificar, de guerrear, parece que não está sendo o suficiente. A gente precisa descontruir essa crença para que a gente pare de passar por essas oscilações de humor ou por essa ideia de que uma mulher boa é uma mulher perfeita. Não existe nada perfeito, existem coisas que precisam ser feitas. Então, é internalizar isso. É difícil, mas é possível.

MÁXIMA: Quais são as principais queixas de uma mulher com essa Síndrome?

KAREN:As mulheres que chegam aos consultórios com as queixas da Síndrome geralmente chegam muito comprometidas emocionalmente, muito esgotadas. Elas têm um discurso que são inúteis, de que são incapazes, e que, por mais que façam o que podem, nunca são suficientes. Elas acabam se comportando para afirmar essas crenças, que é trabalhando mais, não praticando autocuidado, não conseguindo descentralizar todas as atividades que elas fazem para outras pessoas. É muito difícil para elas delegarem. Com isso, as pessoas acabam se apropriando e se beneficiando desses sintomas. Essas mulheres acabam desenvolvendo depressão, transtorno de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo. A reunião desses pensamentos negativos sobre si faz com que essas mulheres venham a adoecer cada vez mais.

MÁXIMA: Qual o tratamento indicado para uma mulher que sofre com essa Síndrome?

KAREN:O tratamento indicado é a psicoterapia. O objetivo é trazer o autoconhecimento, flexibilizar o pensamento dessa mulher, o comportamento dela. Se a gente perceber que ela ainda está muito fragilizada emocionalmente, muito debilitada, fazemos o encaminhamento para uma psiquiatra, para uma avaliação, para ver se o quadro não avançou para uma depressão moderada, um transtorno de ansiedade ou outro transtorno. Então, o tratamento é combinado. De primeira, a terapia pode atribuir em muitos benefícios.

MÁXIMA: A sociedade cobra que as mulheres sejam “incríveis” o tempo todo?

KAREN:Sim, a sociedade cobra que as mulheres sejam impecáveis. Acho que a sociedade prega que a mulher seja impecável e perfeita, porque a gente precisa lutar muito para ocupar os espaços que a gente ocupa. É como se fosse uma condição: se você quer ocupar o lugar de um bom posicionamento em uma empresa, você não pode deixar de ser uma boa mãe, você não pode deixar de cuidar da casa, porque se você não faz isso, você deixa de ser feminina, deixa de ser mulher. Isso tudo vai se misturando aí. Como a gente vive em uma sociedade que é pautada no patriarcado, ainda existe muito controle sobre como a mulher deveria ser e agir, justamente para agradar quem? Essa é uma das perguntas que a gente deveria fazer.

MÁXIMA: Como podemos ajudar para que essa Síndrome não aconteça mais?

KAREN:Para a gente mudar esse contexto da Síndrome, desse adoecimento que vem sendo acometido pelas mulheres, principalmente no século 21, que é quando a gente consegue ocupar posicionamentos profissionais, entre outras coisas, a gente precisa entender que, primeiro, não somos robôs. Nós lutamos por igualdade e essa igualdade também precisa acontecer dentro de casa. Precisamos mostrar para o outro que, o fato de sermos vulneráveis, não nos torna incapazes. Mulher também sofre, chora, cansa e está tudo bem. A gente não precisa dar conta de tudo e isso não vai me limitar ou me definir. Acho que precisamos nos apoiar, falar mais sobre isso, mais representatividade para enfraquecer esse sistema patriarcal que a gente vive e que potencializa toda essa problemática, todos esses sintomas. Acredito que para acabar com essa Síndrome, seja algo muito gradual, porque é um trabalho de ‘formiguinha’, mas que se faz necessário a partir de uma conversa, uma leitura, de seguir pessoas reais. É um conjunto de fatores que contribui para que a gente enfraqueça essa Síndrome e outras que potencializam nosso sofrimento como mulher.


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