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Saúde e Bem Estar / Sexo na terceira idade

MÊS DA MULHER: A terceira idade não pode dessexualizar as mulheres; Conheça os benefícios de uma vida sexual na velhice

A terapeuta sexual Sabrina Munno explica que manter uma vida sexual ativa é uma das melhores coisas que a mulher pode fazer por ela mesma

Máxima Digital Publicado em 02/03/2021, às 18h53

A terceira idade não pode dessexualizar as mulheres; Conheça mais os benefícios de uma vida sexual - Freepik
A terceira idade não pode dessexualizar as mulheres; Conheça mais os benefícios de uma vida sexual - Freepik

Esqueça a ideia de que as mulheres idosas devem ser o esteriótipo da Dona Benta, do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Nada de achar que as senhoras devem viver fazendo tricô e preparando bolos. Ter mais de 60 não é sinônimo de que vida está parada. Pelo contrário, é sempre momento de se conhecer e aproveitar o melhor dos momentos - com a pandemia, os cuidados devem ser redobrados. 

Sabemos que os tempos mudaram e, felizmente, muitos pensamentos também. É um atraso achar que as mulheres da terceira idade não transam ou que não tenham desejos.

Portanto, a idade não tem o poder de dessexualizar - muito menos as mulheres. E claro, que na semana especial de saúde deste MÊS DA MULHER NA MÁXIMA, esse tema não poderia faltar!

"Infelizmente, vivemos em uma sociedade em que quando a mulher chega em uma certa idade não pode é estranho e não fica bem fazer certas coisas, e isso inclui fazer sexo, imagina sua avó fazendo sexo! Mas, isso precisa e está mudando, as mulheres atualmente estão ficando mais empoderadas, estão se conhecendo mais e pasmem, algumas conseguem chegar ao orgasmo depois de uma certa idade, porque estão começando a ficar preocupadas com sua sexualidade e estão tirando os tabus e as amarras da frente", afirma a terapeuta sexual Sabrina Munno.

Mesmo que as mais velhas queiram ter uma vida sexual, os sinais do corpo devem ser respeitados. Conforme vai passando o tempo, a idade, e até em relacionamentos mais longevos, a libido começa a ficar responsivo, ou seja, é necessário um estímulo. Segundo a terapeuta, os fatores são vários e é preciso identificar a fase em que esta mulher.

"Ela pode estar vivendo um momento de stress, cansaço, baixa autoestima, mágoa, gravidez, e tudo isso leva a uma baixa da libido. Por exemplo, a menopausa traz uma baixa dos hormônios sexuais, e isso afeta a libido. Ela começa a ter um ressecamento na vagina, que acaba afetando nas relações porque pode causar dor.  Mas temos como mudar esse cenário, ir ao médico, fazer uma reposição hormonal, nos casos que é indicado, usar um lubrificante, tudo isso vai ajudar", explica.

A profissional frisa que é muito melhor ir 'atrás do desejo do que esperar que ele chegue': "Vamos instigar este desejo fazendo coisas que nos 'animam' como, por exemplo, ler um conto erótico, mandar mensagens picantes para o parceiro durante o dia, vamos namorar, fazer um carinho, tudo isso ajuda em nosso desejo. As mulheres funcionam de forma diferente do homem, elas precisam estar bem para fazer o sexo, é importante a preliminar e com o passar do tempo isso vai ficando de lado em um relacionamento".

A partir do conhecimento que a mulher quer manter um vida sexual ativa, é o caminho do orgasmo que ela deseja. Para as mulheres da terceira idade e em qualquer idade é se conhecer. É fundamental se tocar sozinha, saber como gosta e onde gosta, segundo Sabrina. O prazer deve ser do conhecimento da própria pessoa. 

"Tenho vários relatos de mulheres que chegaram ao orgasmo na terceira idade porque foi exatamente quando conseguiram se livrar dos preconceitos e tabus e entenderam que se conhecer era o melhor e único caminho", relembra.

Os benefícios do sexo na terceira idade são tão válidos quanto qualquer idade. Neste momento da vida, as mulheres já não possuem algumas preocupações que antes existiam como medo de engravidar ou cuidar dos filhos, algumas já se aposentaram e, assim, possuem mais tempo para elas. 

O autoconhecimento das mulheres na terceira idade é importantíssimo, só assim elas podem entender como elas funcionam. Afinal, são seres únicos e se conhecendo não irão ficar com neuras ou achando que são anormais quando descobrem que não sentem prazer somente com a penetração e sim estimulando o clitóris. 

De acordo com a terapeuta, o sexo pode ser mais tranquilo, em qualquer horário, ou seja, podem ter mais tempo para o relacionamento e descobrir a melhor parte do ato, que é o autoconhecimento, resgatar a intimidade, a conversa, as preliminares sem pressa. Se o casal estiver disposto, mas, obviamente, a mulher sozinha também poderá resgatar tudo isso com ela e por ela. 

Entretanto, a chegada da 3a idade e o envelhecimento do corpo, precisam ser levados em conta. Com elas, chegam também algumas dificuldades que atrapalham o desempenho sexual entre o casal, mas não o impedem. Nas mulheres, as mudanças são sentidas principalmente com a chegada da menopausa, fase que encerra o período reprodutor. 

Neste período, a mulher tem uma queda dos hormônios que causam mudanças vaginais e pélvicas, como o ressecamento vaginal, os tecidos vaginais ficam mais finos e podem ser danificados com facilidade, a vagina se torna mais alcalina, portanto, mais vulnerável a infecção. 

Esses sintomas podem afetar a vida sexual. Outro ponto enfrentado é que a sociedade machista considera a mulher pós menopausa como velha, menos atraente e isso causa uma baixa autoestima afetando também a vida sexual. 

"Isso vem mudando com o tempo e com o conhecimento que as mulheres vêm adquirindo sobre o próprio corpo, tratamentos eficazes para redução destes sintomas, e principalmente a quebra do preconceito e tabu ligados a sua sexualidade que não morre quando ela chega na menopausa, muito pelo contrário, pode estar mais viva do que vocês imaginam", afirma Sabrina.

A musculatura pélvica também é levada em conta, mas sempre poderá ser trabalhada - inclusive, é legal trabalhar em qualquer idade para que esteja sempre saudável. "A musculatura pélvica estando saudável, ou seja, forte e rígida, ela trará também muita melhora na vida sexual", avalia.

A melhor forma é conversar com uma Fisioterapeuta Pélvica que fará uma avaliação e preparara exercícios direcionados àquela determinada musculatura e necessidade.

Com tudo certo, o prazer fica mais fácil. Mas, como buscá-lo? "Na Terapia, elas poderão se abrir e serão acolhidas e então direcionadas para a descoberta do seu corpo, quebrar tabus, preconceitos, e a conhecer e não ter vergonha de ter seu prazer, independentemente da idade, da orientação sexual, se casada ou solteira, enfim, irão se descobrir sem vendas", diz Sabrina.

Prazer esse que pode ser buscado de várias formas.  Sexo não é só penetração e existem outras formas de manter uma vida sexual ativa que podem e devem ser exploradas. Cada mulher é uma mulher, por isso que o autoconhecimento é fundamental para entender as preferências. 

De acordo com a terapeuta sexual, a pele é um ótimo início de exploração. "É o maior órgão que temos. É cheio de terminações nervosas, então é um prato cheio de sensações novas e diferentes! Um beijo bem dado, o sexo oral, uma massagem explorando todo o corpo e  as áreas genitais, temos tantas possibilidades. A utilização de produtos sensuais também são muito bem vindos, eu sempre digo que fazer um sexo oral com gostinho de algodão doce é muito melhor, vocês não acham?", brinca.

Falando em sex toys (brinquedos eróticos) o uso é mais que recomendado. Inclusive, podem ajudar as mulheres a terem uma melhor percepção da sua vagina. Os acessórios ser usados na exploração do corpo todo, descobrindo áreas nunca antes descobertas, e a vibração ajuda muito na percepção e prazer. "Quem nunca teve um eu sugiro iniciar com os bullets, eles são os menores e servem para uma estimulação clitoriana, aí vão mudando de estágio", comenta.

Sexo na terceira idade é ótimo, mas vale um alerta. Não é só porque a mulher já passou da fase da gravidez que os cuidados devem ser deixados de lado. O índice de HIV aumentou na população idosa brasileira, de acordo com estudos. Em 2007, o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde apresentou o número de pacientes diagnosticados com mais de 60 anos com HIV era de 168. Em 2018, o número passou de 627.

"A camisinha de fato é o método mais seguro na prevenção do HIV, bem como outras ISTs e hepatites. Ela é obrigatória independente da idade", ressalta Sabrina.

Assim, não deixe que os tabus, o medo e a falta de conhecimento sobre algum assunto te limitem a ter uma vida sexual pela metade, infeliz e sem prazer. Mulheres na terceira idade merecem e tem total capacidade para ter uma vida sexual plena e feliz, seja ela acompanhada ou sozinha.

Nunca será tarde se conhecer melhor. 


Março é o Mês da Mulher na Máxima! Nosso intuito é fazer você, mulher, se enxergar por dentro e por fora e se valorizar. É fazer você perceber que é incrível, guerreira e que merece tudo de melhor na vida, sim!

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O especial MÊS DA MULHER vai de 1 a 31 de março.


Sabrina Munno é pós-graduada pela CEFATEF em Terapia Sexual na Saúde e Educação, se especializou em sexualidade e é membro da ABRASEX – Associação Brasileira dos profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual.

Aprendeu a amar sua profissão ao ver nela a possibilidade de levar as mulheres e homens informações de qualidade sobre como funciona a sexualidade de cada um, ajudando essas pessoas a desvendar alguns tabus e essencialmente mostrar que a vida sexual pode ser plena e feliz em qualquer idade ou fase da vida. Como palestrante acredita que a educação sexual é importantíssima e principal fonte de conhecimento para que homens e mulheres tenham uma vida sexual saudável.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Sabrina Munno|Terapeuta Sexual (@sabrinaterapeuta)

 

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