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Saúde e Bem Estar / Dia Mundial de Conscientização do Autismo

''Meu filho tem autismo''; Descubra o que é, quais são as causas do transtorno e saiba a melhor forma de agir

Um pediatra e uma psicopedagoga dão dicas para familiares oferecerem qualidade de vida ao autista

Mirella Cordeiro Publicado em 02/04/2019, às 07h00 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

O filho de Bel Kutner, Davi, é autista - Reprodução/Instagram
O filho de Bel Kutner, Davi, é autista - Reprodução/Instagram

Quando uma família descobre que um integrante tem algum tipo de transtorno mental, é sempre difícil de lidar. Esta terça-feira, 2, é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e a MÁXIMA Digital traz informações para ajudar os familiares a agirem nesses casos.

Para isso, o pediatra e neurologista infantil Clay Brites explicou alguns detalhes do distúrbio. 

O que é autismo?

Brites afirma que este é um transtorno de neurodesenvolvimento, caracterizado por um atraso ou ausência de percepção social. O que quer dizer que a criança pode “ter problemas de interação social, distúrbios ou problemas significativos de comunicação social.”

Além disso, ela ainda apresenta comportamentos diferentes: coloca todo o seu foco em determinados objetos, assuntos ou coisas, e repete sistematicamente várias ações.

No caso do Arthur, que é primo da pedagoga Maria Amanda Silva dos Santos, ele não falava até os 3 anos: "Na época, a gente acreditava que era por causa do excesso de medicamentos", diz a prima. O menino havia passado por uma cirurgia quando tinha 9 meses e acabou tendo que tomar muitos remédios no começo da vida. 

Quais são as causas desse transtorno?

O médico conta que as explicações ainda não são claras, mas alguns fatores de risco são: 

  • Idade materna ou paterna para se tornar pai ou mãe acima dos 40 anos;
  • Histórico familiar de transtornos de neurodesenvolvimento;
  • Prematuridade ou nascimento com baixo peso.

Uma vez que a família descobriu o distúrbio na criança, como deve agir? 

Brites explica que uma das formas de minimizar os sinais de autismo é “detectar nos primeiros dois anos de vida e intervir precocemente.” Ele diz que diminuir os comportamentos antissociais com remédios ou terapia também são fatores importantes.

Luciana Brites, especialista em Educação Especial, ressalta que o tratamento deve envolver a família e a escola: “A família tem que estar 100% imersa nesse tratamento. Porque a gente trabalha com mecanismo de neuroplasticidade”, ou seja, para reabilitar as funções que estão alteradas no cérebro, precisa haver estimulação constante. 

A família do Arthur só descobriu o autismo dele quando ele foi para a escola, onde levantaram essa hipótese. A partir deste momento, seus pais buscaram terapias: fonoaudiólogo e psicólogo.

E Maria Amanda alerta: "É muito importante os pais estarem sempre atentos e verem se os filhos se adaptam à aquela escola, a aquele ambiente, se ele está se deenvolvendo", como foi o caso de seu primo.

É necessário colocar em uma escola especial? Ou pode deixar a criança em uma escola regular?

Segundo Luciana, isso depende da seriedade da doença: “Existem casos, por exemplo, de crianças com autismo que a gravidade é tão importante que, às vezes, tem que fazer toda uma intervenção antes e fazer a inclusão aos poucos em uma escola regular.”

O Arthur, por exemplo, sempre estudou em escola regular. No começo, ele tinha auxiliares para ajudá-lo, hoje, aos 16 anos, não é mais necessário. O jovem acompanha o conteúdo sozinho. 

A criança deve saber que tem autismo?

“Vai depender do nível de conhecimento que essa criança tem”, afirma Luciana. Se a criança perguntar “por que eu faço isso?”, por exemplo, ela diz que, uma saída, é explicar: “Porque cada um tem um funcionamento diferente. Sempre colocando essa questão do respeito às diferenças de cada um.”

O mais importante, é que não haja sofrimento para a criança: “Essas condições não podem limitar. Elas tem que ser entendidas e, a partir daí, estimuladas para que essa pessoa que tem autismo consiga se adaptar às demandas do meio e, acima de tudo, ter qualidade de vida”, conclui.

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