Fernanda Souza aposta na beleza da sua alma para ser feliz

A longa estrada já mostrou a Fernanda Souza que nada cai do céu. Mas, para ela, isso não é problema: cheia de gana, ela corre atrás de seus sonhos e transforma cada projeto num novo sucesso

por Patrícia Affonso

Fernanda Souza | <i>Crédito: Gustavo Arrais
Fernanda Souza | Crédito: Gustavo Arrais

Desde os primeiros comerciais, gravados quando ela ainda era uma menina, Fernanda Souza, 33 anos, já soma 28 anos aparecendo nas telinhas. Em toda essa trajetória seu nome sempre fi gurou entre os das celebridades mais queridas pelo público. Além do sorriso — fácil e contagiante —, do jeito espontâneo e do talento indiscutível, a paulistana sempre esteve em alta conta graças a uma característica marcante de sua personalidade: a capacidade de se reinventar. Prova disso é o sucesso à frente do programa Vai, Fernandinha, do canal pago Multishow. Pode perguntar: quem não acompanha as transmissões na TV dá um jeito de assistir na internet para rir e chorar junto com a apresentadora e seus convidados. “Os entrevistados ficam tão à vontade que abrem o coração. Isso rendeu momentos muito emocionantes na segunda temporada. Digo que é um programa bipolar: leva todo mundo das gargalhadas a cair no choro, em minutos”, comenta ela. Radiante com a nova ocupação na telinha, o casamento com o cantor Thiaguinho, 34 anos, e as descobertas que vem fazendo sobre si mesma, a bela falou com entusiasmo e verdade a Máxima — confira!

CASAMENTO
Geralmente são as noivas que cuidam dos detalhes do grande dia. No entanto, eu não tive como me envolver, pois estava no Rio de Janeiro fazendo novela e acompanhando a obra da nossa casa, enquanto tudo estava rolando em São Paulo. Thiago pensou em cada momento! Por mais que o sonho não fosse meu — eu queria me casar, sim, mas com a cerimônia e a festa, nunca sonhei —, o Thiago incluiu muitas coisas que eu amo: músicas, surpresas... Foi incrível!

VIDA A DOIS
Eu já morava com o Thiago havia dois meses, antes do casamento. Portanto a convivência não foi inusitada. A maior mudança para mim foi sair de um apartamento e ir para uma casa. Não achei que fosse dar tanto trabalho! Sou total dona de casa, adoro essa função. Acho que a chave de uma boa relação é o humor. Eu e o Thiago passamos o dia rindo!

HOBBIES
Curtimos não ter hora para acordar, aproveitar o nosso cantinho, ir almoçar na minha sogra, ficar lá batendo papo, ir ao cinema... Ah, também somos loucos por séries. A do momento é Reign, uma produção da Netflix sobre a rainha Mary, da Escócia.

MATERNIDADE
Quero ser mãe, porém não tenho pressa. Nos casamos há dois anos apenas, e somos muito tranquilos. Não planejamos muito. As coisas devem ter o tempo que elas querem ter. Deixamos a vida nos conduzir.

TALENTOS
Comecei como apresentadora aos 10 anos. Fiquei três anos à frente do programa X-Tudo, da TV Cultura. Logo depois, fiz Chiquititas e, quando a novela acabou, o Silvio Santos me convidou para apresentar um programa infantil. Mas eu achei que não seria capaz. No X-Tudo eu não levava a atração sozinha, tinha outros apresentadores. Na época, a Globo me chamou para fazer novela e eu preferi atuar, por me sentir mais segura. Em 2014, quando fui repórter do The Voice, dividi o camarim com o Thiago Leifert, e ele falava para mim: “Você é apresentadora! Você manda muito bem!”. Costumo brincar que foi ele quem me convenceu a investir nisso. Sou fã dele desde antes de trabalharmos juntos, então imagine o peso de ouvir um incentivo de alguém que você admira tanto? Quando o programa acabou, me chamaram para fazer A Regra do Jogo e eu tive que abrir mão da próxima edição do The Voice. Acho que fazer a novela reforçou em mim que eu queria mesmo apresentar, que era a hora de seguir em outra direção.

SHOW WOMAN
Minha vontade de ter um programa era tanta que bati na porta do Guilherme Zattar, diretor do Multishow, e pedi um espaço no canal. Ele me disse que me acompanhava na internet — na época, por meio do Snapchat — e que gostava muito do meu jeito de comunicar. Sobre o formato, comentei que gostaria de fazer entrevistas informais, brincadeiras, uma coisa bem leve. Dois meses depois eu já estava gravando o Vai, Fernandinha. Agora já estamos pensando na terceira temporada. Acho que meu encanto por esse universo veio da possibilidade de ser eu mesma, de não ter que interpretar nenhum personagem. É tão gostoso!

INICIATIVA
Me jogo nas coisas que quero. Hoje, mais cedo, eu estava no Instagram e vi uma definição do meu nome que caiu como uma luva. Dizia: “Fernanda é quem não se cala, quem luta com as próprias armas. É aquela capaz de forjar a paz em dias de caos, é quem sucumbe ao caos em dias calmos demais e é quem ousa desafiar a vida em busca do que lhe faz bem, mesmo que isso signifique apanhar de alguns dias ruins. É quem conquista”. Claro que eu tenho medo do novo, mas vou com medo mesmo. O que faço para ajudar é me cercar de pessoas que me deem segurança. Quando você olha para o lado e vê apoio, inspiração, parceria, as coisas fluem.

CHAVE DO SUCESSO
Acho que é a espontaneidade. Foi o que a direção do programa me pediu e é o que eu entrego. Não tenho um roteiro engessado. A gente sabe as ações que serão propostas, mas tudo o que é dito vem da minha cabeça. Dessa forma, as pessoas ficam à vontade e acabam falando coisas que nunca disseram antes. Além disso, me envolvo profundamente com cada pedacinho: da pesquisa inicial, passando pela reunião de pauta para a escolha das brincadeiras, a indicação dos convidados, até chegar na edição final. Para ver um resultado satisfatório, a gente tem que colocar a mão na massa.

IDEAL DE BELEZA
Um dos programas mais emocionantes que gravamos na segunda temporada foi com a atriz Débora Nascimento, 32. Na ocasião, ela contou sobre uma amiga que perdeu para a anorexia e disse que nunca vai colocar sua saúde em risco para alcançar um ideal estético imposto. Eu concordo plenamente com ela. Acho que o bate-papo me tocou tanto porque neste último ano eu pensei muito sobre isso. Passei 18 anos fazendo novela e tendo que ter o corpo que a minha personagem exigia. Quando eu saí desse circuito, pensei: “Que corpo eu, Fernanda, quero ter?”. Sou a louca do exame de sangue: faço a cada três meses para checar se está tudo certo. Ver as taxas alteradas ali me incomoda muito mais do que o peso na balança. Tenho hipotireoidismo, e só quem tem uma doença sem cura sabe o quanto é ruim quando ela está fora de controle. No meu caso, fico sonolenta, meu metabolismo cai, o corpo incha... Resolvi aproveitar esse meu momento fora das novelas e dar um tempo dos treinos — já teve época em que eu malhava duas vezes por dia. Além disso, eu gosto de comer e me permitir. Fui aprendendo a olhar para o meu corpo, vê-lo mudando e não me criticar. A gente precisa ter mais autocompaixão. Foi uma libertação! Não venham me dizer “mas você tem que...”. Eu não tenho que nada. Tenho que estar saudável e feliz comigo mesma. Apenas isso!

DRAMATURGIA
Decidi traçar uma reta nesse caminho da apresentação e quero continuar seguindo por ele. Nunca vou deixar de ser atriz, mas acho que agora vai rolar atuar só em projetos e personagens especiais. O trabalho vai ter que fazer meus olhos brilharem muito, sabe?

PÚBLICO INFANTIL
Fico surpresa com o feedback que eu recebo dos pais sobre as crianças que amam o meu programa. Isso me faz pensar o quanto seria bacana voltar a trabalhar com esse público. Ainda não sei o quê, mas eu penso o tempo todo. Logo vai pintar uma ideia bacana!

MATURIDADE
O melhor presente que a idade me trouxe foi, sem dúvidas, foi a confiança. Hoje, conheço melhor o meu potencial, sei no que posso apostar, onde meu brilho aparece. Tenho muito mais coragem e até cara de pau para ir atrás do meu sim. Afinal, o não eu já tenho...

QUALIDADES
O que mais gosto em mim é a capacidade de achar saídas, soluções, sacadas espertas... A frase do geminiano é: “Eu penso!”. Isso fala bastante sobre mim. Ao mesmo tempo, me leva a uma certa dificuldade de focar, já que tem tanta coisa acontecendo na minha mente simultaneamente. É algo que me incomoda e eu tento equilibrar.

21/11/2017 - 12:52

Conecte-se

Revista Máxima