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LGBT / CARETICE

Anitta e mais uma batalha contra o machismo no Brasil

Novo álbum da cantora tem abalado quem acha possível existir um estilo musical superior a outro

Ezatamentchy Publicado em 26/04/2024, às 15h01

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Anitta faz sucesso enquanto os machistas ladram - Divulgação
Anitta faz sucesso enquanto os machistas ladram - Divulgação

Anitta lançou nesta sexta-feira, 26 de abril, mais um álbum e, de novo, enfrenta uma enxurrada de críticas baseadas na ideia de que apenas ela faz funk com letras muito ousadas, na certeza de alguns de que existe um ritmo musical superior a outro, seguindo um histórico desprezo pela cultura que vem do morro. “Funk Generation” tem 15 músicas e já conquistou as paradas musicais, as redes sociais e os fãs da artista.

Porém, Anitta teve todo um trabalho cuidadoso de produção, que inclui participação do divo Sam Smith, para se ver frente a uma onda conservadora que apenas mira na polêmica, que não sabe opinar sobre composição musical, que mal ou nem ouviu o álbum. Quando o Brasil se olha no espelho, todas as vezes, ele não se reconhece.

O Funk é um enorme movimento cultural que expressa a realidade cotidiana das comunidades, periferias e todos os locais fora do centro mainstream, dominado pela branquitude, cheirando a lavanda. Por muitos anos, e pelo jeito ainda hoje, foi criminalizado porque era “pornográfico”, porque fala abertamente de sexo, sexualidade e sensualidade.

Quando uma mulher decide, ela mesma, cantar sua sexualidade e seu prazer chega a hora de os buracos obscuros do machismo colocarem à luz do dia seus seres raivosos, preconceituosos, agressivos. Recalcados, falando francamente. A própria artista reconhece isso:

"Quando essas letras são cantadas por homem, ninguém fala nada, tem coisa até pior. Quando é homem, é muito legal, quando é mulher... Eu não tô nem aí, gente. Eu quero mais é me divertir. Eu dou exemplo como pessoa mesmo, para quem quer saber mais de mim, da minha personalidade", disse na coletiva de lançamento.

É mais um execrável exemplo de que o Brasil se vê de uma forma muito equivocada, fora da realidade – como poderemos então resolver algum problema? Quem não convive, vive ou pelo menos sabe sobre o cotidiano da maioria do povo brasileiro, que não é rica, que vive em casas simples, que batalha o dia todo, acha o funk sujo, mal educado. Puro elitismo.

É preciso reforçar: o funk, e todo estilo musical, é uma expressão artística do ambiente. Antes de reclamar, é preciso mudar esta realidade, não as letras.

Por Ezatamentchy.