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LGBT / Situação delicada

Jovem é expulso de universidade após postar vídeos de tutorial de maquiagem

O estudante foi expulso de uma universidade na Rússia acusado de promover a comunidade LGBTQIAP+

Máxima Digital Publicado em 30/08/2023, às 12h00

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Jovem é expulso de universidade após postar vídeos de tutorial de maquiagem - PinkNews
Jovem é expulso de universidade após postar vídeos de tutorial de maquiagem - PinkNews

Max foi expulso da Universidade Estadual de Kuban, uma universidade russa, após postar vídeos de tutorial de maquiagem. O estudante de arquitetura foi acusado de promover uma “propaganda LGBTQIAP+” com seus vídeos. Além de abandonar os estudos, o jovem também fugiu do país para se proteger da situação delicada.

No início deste ano, Max estava estudando arquitetura em uma universidade russa. Agora, ele abandonou os estudos e fugiu do país após ser acusado de promover a chamada "propaganda LGBTQ+" após compartilhar seu amor por maquiagem online.

À PinkNews, Max disse que está apavorado com a situação e confessou achar perigoso para ele estar na Rússia, já que o país possui uma série de regras contra pessoas queer e as autoridades estão em busca dele.

O estudante cursou arquitetura e planejamento urbano por três anos e teve seus estudos interrompidos após publicar uma série de vídeos mostrando sua paixão por maquiagem no Instagram e no YouTube.

Max foi expulso da universidade após alguém o denunciar à polícia por, supostamente, promover a comunidade LGBTQIAP+.

Em 16 de junto, ao voltar para sua casa, o jovem foi confrontado por policiais e levado para a delegacia para falar sobre seu conteúdo.

"Não é nada incomum. Apenas corretivo, um pouco de BB cream, as sobrancelhas estão um pouco feitas, mas não é nada fora do comum. Apenas a maquiagem normal do dia a dia”, disse.

Ele continuou: "Disseram-me que eu estava promovendo a 'mudança de sexo entre menores' porque algumas das maquiagens que eu fazia em meus tutoriais em vídeo eram artísticas, um pouco exageradas. Alguns deles também eram vistos como eu representando drags, porque eu usava perucas e coisas do gênero”.

"Basicamente, eles explicaram que eu estava promovendo a mudança de sexo porque, 'Bem, ele é um homem e está vestido como uma mulher e isso é proibido na Rússia e colocar isso na Internet significa que você está promovendo isso entre menores'”, continuou.

Max completou: "Havia algumas perguntas básicas, mas outras eram um pouco provocativas, sobre sexo ou beijar homens e tudo o mais”.

"Não respondi diretamente, como: 'Sim, eu faço sexo com homens', ou 'Eu beijo homens', mas basicamente tentei responder. Eu apenas brinquei, o que não deixaria claro, e [disse]: 'Se você sabe, você sabe'. Esse tipo de coisa", falou.

Na delegacia, o estudante foi agredido verbalmente com insultos homofóbicos e “tortura emocional”.

Após ser liberado, Max foi questionado por funcionários da universidade sobre sua prisão e que um artigo afirmava que ele promoveu a homossexualidade.

"Entendi que algo estava acontecendo e provavelmente eles queriam que eu fosse suspenso da universidade. Mas, na verdade, eu era um aluno muito bom. Eu fazia tudo bem”, disse.

Max continuou: "Normalmente, no início, você recebe algumas advertências, e eu nunca recebi uma advertência. Achei que isso provavelmente seria uma advertência. Então, tentei basicamente escrever [uma declaração] que eles queriam que eu escrevesse, o mais neutra possível, para que eu não tivesse problemas e pudesse continuar meus estudos.".

Dias depois, a biblioteca da universidade ligou para ele pedindo para que ele devolvesse os livros que havia pegado emprestado já que ele estava expulso.

Max chamou a atenção dos meios de comunicação no país e sentiu que estava ameaçado. Ele confessou temer que a polícia o prendesse por ser gay.

"Havia a possibilidade de que alguém me denunciasse à polícia novamente e, se isso acontecesse de novo, seria um crime", disse.

O estudante continuou: "Na Rússia, no início é como uma pequena reclamação: é chamada de administrativa, o que não é grande coisa. Mas se você fizer a mesma coisa algumas vezes, poderá ir para a cadeia. Não vai ser uma multa... É muito perigoso para mim agora. Estar na Rússia em geral e o fato de os policiais estarem me procurando é muito assustador.".

Max contou que já teve sua mão quebrada por uma pessoa por ser um homem gay e já sofreu insultos na rua.

"Para mim, isso é como o ar. Fiquei tão acostumado com isso que acho que não saberia que existe outra maneira de viver”, finalizou.

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