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Atleta brasileiro que terminou a Maratona de Berlim 2019 de muleta relembra: ''Foram 400m só de aplauso''

Atleta brasileiro que terminou a Maratona de Berlim 2019 de muleta revela:

Marina Pastorelli Publicado em 14/10/2019, às 16h56

Após ir perrengue em Maratona de Berlim, Rodrigo Barros termina prova de muleta
Após ir perrengue em Maratona de Berlim, Rodrigo Barros termina prova de muleta - Divulgação

A Maratona de Berlim 2019, tão esperada por atletas de todas as partes do mundo foi repleta de emoções, principalmente para o corredor e Personal Trainer Rodrigo Barros, de 33 anos.

Nascido na cidade litorânea de Caraguatatuba - SP, Rodrigo mostrou na prova internacional de longa-distância que é possível sobreviver em um país depois de se lesionar gravemente, sem falar a língua nativa, enrolando no inglês, e sem ter dinheiro nenhum para pagar um hospital.

Tudo começou 40 dias antes dos 42 km mais importantes de sua vida, quando, em uma corrida de rua, o competidor -- que já fazia rifas na web para pagar sua passagem de avião até Berlim -- começou a sentir um incômodo na canela, que resultaria, após sete dias, em uma fratura na tíbia por stress, 33 dias antes da viagem.

"Tinha um mês para tentar recuperar", lembrou ele, que completou: "É bem comum [a fratura] em corredores de longa-distância, mas a fisioterapeuta me garantiu que a lesão não ia se calcificar antes da prova".

E realmente não calcificou.

EMBARQUE PARA BERLIM

Apesar de tudo, Rodrigo Barros não desistiu da vaga na Maratona de Berlim 2019 e, após 30 dias treinando só em uma bike de speed, ele tomou uma injeção de dor e embarcou para a cidade alemã. A essa altura do campeonato, sem meta de tempo. "Minha maior meta era conseguir terminar a prova. Só isso", declarou.

No grande dia, as dores começaram já no aquecimento e só aumentaram durante a corrida até o km 18. Sem conseguir nem andar, de tanta dor, o professor de Edução Física decidiu que era hora de buscar ajuda. 

"Abortei a missão naquela hora", disse ele.

RESGATE

Já quase no km 20, à procura de um posto médico, Rodrigo foi resgatado por um staff alemão. "Um policial veio e me cobriu com uma manta térmica. O médico só chegou 30 minutos depois, de moto, e minha maior dificuldade era me comunicar, porque eu não falava nada de alemão e meu inglês bem básico. Eu fiquei lá esperando até uma ambulância me buscar pra me levar pro hospital".

Sem nenhum euro nos bolsos, o corredor era questionado o tempo todo como pagaria por todo o atendimento. "Eles ficavam bravos quando eu dizia que não tinha dinheiro nem cartão de crédito", disse.

Medicaram-no com uma injeção na barriga e o liberaram com uma muleta que valia 48 euros -- que ele não tinha como bancar.

"Fiquei na rua, sozinho, sem comunicação, sem celular, chovendo num frio desgramado, com tênis na mão e gesso na perna", lembrou ele, que só conseguiu chegar de novo perto da prova depois de 5h fora.

Na rua, mesmo enfaixado, nenhum taxista aceitou levá-lo para o local da prova e, com uma regata no frio de trincar os dentes, Rodrigo Barros conseguiu pegar um trem após horas e, coincidentemente, desceu perto da linha de chegada.

 

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