Cirurgia ortognática

Tire suas dúvidas sobre o procedimento que posiciona corretamente os maxilares de quem tem problemas na mordida

Diane Neubüser

O resultado de uma cirurgia ortognática | <i>Crédito: Foto: Divulgação
O resultado de uma cirurgia ortognática | Crédito: Foto: Divulgação
Quem já ouviu falar sobre a cirurgia ortognática provavelmente tem a indicação para fazê-la ou conhece alguma pessoa próxima que precisa do procedimento. E, em se tratando de uma operação que envolve internação, anestesia e cuidados especiais na recuperação, é natural que surjam inseguranças. Para tentar esclarecer as dúvidas sobre o assunto, conversamos com o cirurgião buco maxilo facial Alessandro Silva. Veja abaixo:

  1. O que define a necessidade da cirurgia ortognática?

A palavra Cirurgia Ortognática  vem do latim, que significa, “orto”, correto, e maxilares. Visa a promoção do correto posicionamento espacial dos maxilares no indivíduo. Ela é indicada para,  através da ortodontia, obter uma mordida adequada com estabilidade. Por isso que muitos pacientes utilizam aparelho ortodôntico e depois “volta” tudo. O problema não é o dente que está torto, mas sim os maxilares, que cresceram de forma não harmoniosa: um maior do que o outro. Quando essa discrepância é pequena entre eles no posicionamento e crescimento, a ortodontia consegue compensar. Mas quando é maior, fica impossível. Existem outros fatores... além da mordida adequada,  é preciso avaliar se a respiração é inadequada, se tem apneia obstrutiva do sono, deteorização da articulação... A estética também está envolvida, mas o principal fator é funcional e o objetivo é manter uma mordida estável

  1. Quais são os sintomas de uma pessoa que precisa da cirurgia ortognática?

Existem algumas pessoas que passam a vida assintomática. E quando começam a apresentar os sintomas, já houve um dano significativo na articulação e dentes. Depende muito da deformidade e desarmonia que o paciente tem porque se a mandíbula é para trás, por exemplo, um dos sintomas pode ser ronco, apneia, dormir mal, sonolência diruna.... Os sintomas de uma maneira geral são: zumbido no ouvido, dor na articulação, enxaqueca, dificuldade para mastigar, estalos na boca e a subida da gengiva. Lembrando que o paciente jovem por ter uma força adaptiva, pode não sentir muito os sintomas, mas de qualquer maneira ele estará sentindo danos e quando chegar na fase mais adulta, já estará colhendo todos os problemas da falta de tratamento. O que eu mais atendo é retratamento, quando o paciente não foi orientado e nunca soube desse tipo de alternativa,  se submetendo a diversos outros tratamentos sem sucesso

  1. Como é feita a cirurgia? 

Em ambiente hospitalar. Existe um preparo ortodôntico para o alinhamento dos dentes, que demanda de oito meses a um ano e meio para preparação. O paciente fica internado por 24h e vai embora no dia seguinte. Na maioria das vezes, é feito tudo por dentro da boca, não tem dor no pós operatório, mas o paciente não consegue comer tudo que quer. Ele passa por uma restrição alimentar por um período de fortalecimento. Fica na  primeira e segunda  semana comendo só pastosos com a consistência leve. Depois de três meses, pode comer o que quiser e seis meses depois pode realizar atividade física de contato. 

  1. Quais são as principais consequências se a cirurgia não for realizada em um paciente que precisa?

Existe um sistema todo que envolve lábio, bochecha, língua e dentes chamado  sistema estomatognático (que significa maxilares e boca). Todo ele fica em desequilíbrio, afetando os relacionados como nuca, parte frontal... Assim, o paciente fica em desequilíbrio com danos muitas vezes irreversíveis na fala, mastigação, estética, respiração, dentes e articulações. Cada um deles vai falhando no resto da vida. No caso da substituição dos dentes por dentaduras, os mesmos ficarão em dentes mal posicionados com sobrecarga o que pode levar à perda dental.

17/05/2017 - 11:17

Conecte-se

Revista Máxima