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LGBT / Teoria Queer

Entenda o que é a Teoria Queer: "Seu corpo é um texto, explore suas linhas"

Em exclusiva à Máxima Digital, Ali Prando, filósofo, pesquisador, curador e multiartista brasileiro, explicou tudo sobre o tema

Máxima Digital Publicado em 03/08/2021, às 11h40

Entenda o que é a Teoria Queer - Divulgação
Entenda o que é a Teoria Queer - Divulgação

Você sabe o que é Teoria Queer? Sabe como funciona? Para entendermos melhor sobre o tema, a Máxima Digital convidou Ali Prando, filósofo, pesquisador, curador e multiartista brasileiro, para explicar tudo sobre o tema. 

Começando pelo básico, ele falou o que ela é: "Teoria Queer é um conjunto de saberes escritos ou não que foram desenvolvidos ao longo do tempo pelos corpos marcados enquanto dissidentes, corpos que não gozam dos poderes hegemônicos, corpos transviados, corpos negros. A Teoria Queer não trata necessariamente sobre sexualidade, mas sobre o corpo, os desejos do corpo, processos de identidade e subjetivação.".

Teoria Queer
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Ali continuou: "Influenciada pelo movimento feminista, e também pelos textos da virada filosófica francesa a partir dos escritos de Michel Foucault, Gilles Deleuze, Felix Guatarri e Jacques Derrida, a Teoria Queer ainda é resultado dos ativismos promovidos pelo ACT UP nos anos 80 em relação a hiv/aids, a insurreição política dos Panteras Negras e o movimento de mulheres negras, latino-americanas e caribenhas, o movimento de trabalhadoras sexuais e BDSM, a Teoria Ciborgue de Donna Haraway e os conceitos de heteronormatividade e performatividade compostos por Judith Butler.".

"Podemos dizer que a Teoria Queer é um grande tráfico de textos, traduções e interpelações que visam um mundo emancipado das ficções biopolíticas que marcam o corpo, como raça, gênero e sexualidade.", simplificou. 

Ali disse que não há uma característica específica da Teoria Queer: "É uma tarefa ingrata dizer qual seria a maior característica da Teoria Queer, porque ela está sempre em processo, em fluxo, e ela exige em si mesma a sua não captura. No momento em que eu enquadro a maior característica da Teoria Queer, eu automaticamente a perco de vista, e assim, a despotencializo.".

"Nesse sentido, diria que as maiores características da teoria transviada é a sua constante habilidade de prestar críticas as instituições sociais, como a família, igreja, mídia, medicina, direito, que tem seus discursos e regras naturalizados.", continuou.

"O conceito de 'natureza' na história da filosofia nunca foi neutro, e constantemente foi utilizado para justificar atrocidades - alguns sujeitos seriam considerados 'humanos' e plenamente cidadãos, enquanto outros são subalternizados: a escravidão transatlântica, a falta de recursos e investimento em possíveis curas e tratamento para hiv/aids, a falta de legislação em relação a aborto, por exemplo, são todos sintomas que ainda hoje enfrentamos e tem direta relação com o discurso do progresso, da natureza e da humanidade.", prosseguiu.

Teoria Queer
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O filósofo colocou em poucas palavras: "Em outras palavras, a teoria transviada preocupa-se então com a desnaturalização daquilo que insiste em se apresentar como 'natural' em nossa sociedade.".

O pesquisador e curador explicou que não há uma maneira única de reproduzir a Teoria Queer na sociedade. 

"Não existe um jeito certo de produzir Teoria Queer. É justamente na profusão de ações e na anti-fórmula que se movem os teóricos transviados e as pessoas queer. Com isso, eu quero dizer que os escritos de Judith Butler e Paul B. Preciado são tão importantes quanto o cinema de John Waters e a drag queen Divine, os bailes e voguing da cultura ballroom, as performances de Madame Satã ou mesmo a existência da Casa Nem e o ativismo político de Indianarae Siqueira, histórica transvestigênere brasileira que abriga pessoas LGBTs no Rio de Janeiro. O que esses sujeitos tem em comum, cada um, a seu modo, é a produção de uma crítica epistemológica e prática às normatividades e opressões sociais.", explicou.

Por fim, Ali falou qual é o maior lema da Teoria Queer: "Seu corpo é um texto, explore as suas linhas.".

Teoria Queer
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Serviço:

As Transtopias de Paul B. Preciado - Feminsimo, Corpo e Tecnologia
MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo
Datas: 16, 23, 30 de agosto, 06, 13, 20 de setembro de 2021
Horário: das 19h às 21h por videoconferência
Segundas-feiras
Público: interessados em geral
Duração: 06 encontros
Investimento: R$ 480,00 em até 4 parcelas
As aulas acontecem ao vivo via plataforma Zoom

Inscrições aqui


SOBRE ALI PRANDO E MATHEUS CATRINCK

Ali Prando: Filósofo, pesquisador, curador e multiartista brasileiro. É autor de projetos que interseccionam gênero e sexualidade à cultura pop, como o “Politizando Beyoncé” e “Björk: Paradigmas do Pós-humanismo.exe”, o segundo criado com exclusividade para compor a programação da exposição da artista durante sua passagem pelo país. Desde 2020, é curador e apresentador das Mix Talks, programa de discussões contemporâneas do Festival Mix Brasil, o maior evento sobre cultura de diversidade da América Latina. Foi indicado pelo fórum Cidadão Global, do Valor Econômico, como uma das nove pessoas que mais lutaram por justiça e igualdade social no Brasil em 2020. Neste ano, foi um dos rostos da campanha Facebook Pride no Brasil. Já participou e colaborou com festivais como Coquetel Molotov, MECA, Mix Brasil, Path e WHOW!, além de instituições como Tapera Taperá, Museu da Imagem e do Som de São Paulo, Museu da Diversidade Sexual, Unibes Cultural e unidades do Sesc em São Paulo.

Matheuz Catrinck: é mestrando em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). É bolsista do Programa de Excelência Acadêmica da CAPES e pesquisador do Pontão de Cultura Digital da ECO, onde coordena e desenvolve estudos e ações sobre corpo, subjetividade, sexualidade, tecnopolíticas, estéticas e tecnologias da comunicação.

 

 

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