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Comportamento / Viúvas de Maridos Vivos

Mulheres fortes, autônomas, independentes: Conheça a exposição 'Viúvas de Maridos Vivos'

O artista Leandro Júnior traz suas obras para o Museu de Arte Sacra de São Paulo

Máxima Digital Publicado em 30/03/2022, às 11h00

Mulheres fortes, autônomas, independentes: Conheça a exposição 'Viúvas de Maridos Vivos' - Divulgação
Mulheres fortes, autônomas, independentes: Conheça a exposição 'Viúvas de Maridos Vivos' - Divulgação

Mulheres e suas histórias inspiradoras: é isso que o artista Leandro Júnior traz na exposição Viúvas de Maridos Vivos

Pinturas com mais de dois metros de altura, feitas com barro das encostas do Vale do Jequitinhonha.

De uma relação visceral do artista com o território, os habitantes e as histórias de sua região em Minas Gerais nasce a individual Viúvas de Maridos Vivos.

As obras compõem a nova exposição do Museu de Arte Sacra de São Paulo - MAS / SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, sob curadoria de Simon Watson.

As chamadas "viúvas de maridos vivos" são comuns no Jequitinhonha: mulheres que se veem sozinhas — com o roçado, os filhos e todas as obrigações do lar – enquanto os maridos viajam para a colheita do café ou da cana, chegando a passar meses ou anos longe.

E tudo começou de uma história pessoal. Leandro, também filho de uma "viúva", retratou 12 delas, sempre de costas e carregando utilitários na cabeça: lata de querosene, balaio, gamela, trouxa, saco, botija, lenha, bateia, pote de barro, bacia, leiteira.

"São mulheres fortes, autônomas, protagonistas e independentes, vivendo como matriarcas numa sociedade patriarcal", sugeriu o curador Simon Watson.

A exposição marca a primeira individual museológica de Leandro Júnior, pintor e escultor figurativo que se inspira na forte cultura e intimidade fomentadas de forma única no vale rural do Jequitinhonha, localizado no sertão de Minas Gerais.

Nascido e criado na Chapada do Norte, ele vem desenvolvendo sua arte a partir do barro que ele mesmo extrai e refina, para ser aplicado em telas, ou modelado e queimado em um forno de barro, para se tornarem esculturas.

"Desde o primeiro contato com as obras de Leandro, há mais de quatro anos, tive o prazer de fazer três viagens ao Jequitinhonha onde ele me apresentou o povo e os costumes da região e os jovens do Quilombo de Cuba, onde atuava como professor. Este é realmente um lugar de pessoas humildes e generosas, imersas numa história viva e tumultuada ", disse o curador.

Padroeira do Quilombo de Cuba, a figura de Nossa Senhora Aparecida inspira fé em Leandro e em sua família. O artista já tinha feito uma estátua da santa, mas resolveu fazer uma representação em maior escala, com caraterísticas Afro e expressão serena, esculpida ao longo de várias semanas de trabalho diretamente no jardim do museu.

O artista contou que tem um lado pessoal com ela: "É uma figura que me traz muita força". Ele que prepara argila em tons pretos e avermelhados para chegar ao resultado e construiu um forno na área externa do museu especialmente para a queima da escultura.

"Nunca tinha feito nada nesse tamanho e dividi a composição da estátua em oito partes", antecipou o artista.

Completa a exposição um teaser da série documental que o diretor brasileiro radicado em Nova York Diego Kelman Ajuz está produzindo no Jequitinhonha. O plano inicial era fazer uma série de vídeos curtos com entrevistas das viúvas retratadas por Leandro, mas a força dos depoimentos motivou o diretor a fazer um projeto maior, em nove episódios.

"É uma chance de recontar a história do Brasil sob novos ângulos e longe dos clichês", disse Ajuz, que encontrou ali mulheres com valores e sabedorias que passam longe do conhecimento escolar/acadêmico. "Muitas delas não sabem ler nem escrever, mas falam olhando no olho, num contato direto, sem tanto ruído, donas de uma força e uma presença que nós talvez tenhamos perdido.", completou


Projeto LUZ Contemporânea

LUZ Contemporânea é um programa de exposições de arte contemporânea que se desdobra em eventos e ações culturais diversas, públicas e privadas. Desenvolvido pelo curador Simon Watson, o projeto, atualmente, encontra-se baseado no Museu de Arte Sacra de São Paulo. Nesse espaço, LUZ Contemporânea apresenta exposições temáticas de artistas convidados, de modo a estabelecer diálogos conceituais e materiais com obras do acervo histórico da instituição. Embora fortemente focada no cenário artístico brasileiro atual, LUZ Contemporânea está comprometida com uma variedade de práticas, cultivando parcerias com artistas performáticos e organizações que produzem eventos de arte.

Viúvas de Maridos Vivos – Mostra de Leandro Junior

Curadoria: Simon Watson

Abertura: 03 de abril de 2021, às 11h. Duração: de 3 de abril a 5 de junho

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo | MAS/SP

Endereço: Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo (ao lado da estação Tiradentes do Metrô)

Tel.: 11 3326-5393

Horários: De terça-feira a domingo, das 11h às 17h (entrada permitida até as 16hs)

Ingresso: R$ 6,00 (Inteira) | R$ 3,00 (meia entrada nacional para estudantes, professores da rede privada e I.D. Jovem - mediante comprovação) | Grátis aos sábados | Isenções: crianças de até 7 anos, adultos a partir de 60, professores da rede pública, pessoas com deficiência, membros do ICOM, policiais e militares - mediante comprovação

Compra de Ingressos: Sympla

Site: www.museuartesacra.org.br

Instagram: https://www.instagram.com/museuartesacra/

Facebook: https://www.facebook.com/MuseuArteSacra

Twitter: https://twitter.com/MuseuArteSacra

YouTube: https://www.youtube.com/MuseuArteSacra

Google Arts & Culture: https://bit.ly/2C1d7gX

Informações complementares

O artista – Leandro Júnior

Leandro Júnior de Sousa é pintor e escultor. Nascido no Vale Jequitinhonha, em Minas Gerais, estudou arte na Faculdade São Luiz de Jaboticabal, no interior de São Paulo. Nos últimos três anos, participou de exposições individuais e coletivas em galerias e museus, entre eles: Central Galeria, São Paulo (agosto 2020); Museu Nacional da República, Brasília (outubro de 2020); Slag Gallery, Nova York (abril de 2021); Instituto Santo Amaro, São Paulo (maio 2021); Museu de Arte Sacra, São Paulo (junho de 2021); e Centro Cultural Recanto das Artes, Vale do Jequitinhonha (agosto de 2021). Leandro Júnior foi bolsista integral da Simon Watson Arts - Artist in Residence, São Paulo (2019 a 2022). Além da prática artística, possui dez anos de experiência como docente, trabalhando com jovens adultos do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), com adolescentes do Quilombo de Cuba e com outras comunidades quilombolas no Vale do Jequitinhonha.

O curador – Simon Watson

Nascido no Canadá e criado entre Inglaterra e Estados Unidos, Simon Watson é curador independente e especialista em eventos culturais baseado em Nova York e São Paulo. Um veterano com trinta e cinco anos de experiencia na cena cultural de três continentes, Watson concebeu e assinou a curadoria de mais de 250 exposições de arte para galerias e museus, e coordenou programas de consultoria em colecionismo de arte para inúmeros clientes institucionais e particulares. Nas últimas três décadas, Watson trabalhou com artistas emergentes e os pouco reconhecidos, trazendo-os para a atenção de novos públicos. Sua área de especialização curatorial é identificar artistas visuais com potencial excepcional, muitos dos quais agora são reconhecidos internacionalmente na categoria blue-chip e são representados por algumas das galerias mais famosas e respeitadas do mundo.

O museu

O Museu de Arte Sacra de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, é uma das mais importantes do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 29 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulo passou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, última chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979. Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulo detém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 10 mil itens no acervo. Possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus, entre tantos, anônimos ou não. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.

MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO – MAS/SP

Presidente do Conselho de Administração - José Roberto Marcellino dos Santos

Diretor Executivo - José Carlos Marçal de Barros

Diretor de Planejamento e Gestão - Luiz Henrique Marcon Neves

Museóloga – Beatriz Cruz

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