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Se você acha que a privacidade dos filhos não existe, alto lá!

Mesmo quando o assunto é cuidado e educação seus filhos tem direito a privacidade. Vamos conversar sobre os limites dessa delicada relação

Máxima Digital Publicado em 02/02/2015, às 12h17 - Atualizado em 22/08/2019, às 01h40

Bata antes de entrar
Bata antes de entrar - Shutterstock

Que atire a primeira pedra a mãe que nunca pensou em bisbilhotar as coisas dos fi lhos. Seja para dar uma esticadinha de olho nas conversas deles no Facebook, seja para escutar de leve o papo no celular com o amigo que parece moderninho demais... Por mais que os tempos tenham evoluído, a forma como os pais se preocupam, não. Definitivamente. E não tem nada de errado nesse sentimento, desde que os responsáveis saibam até onde podem chegar para garantir segurança e proteção. “Os pais querem o melhor para os filhos e, por isso, exercem o controle com relação a horários, passeios, viagens, baladas, amizades... Ok, mas vale lembrar que isso não significa ter domínio sobre as ações e os pensamentos deles”, diz Maíra Laranjeira, especialista em Programação Neurolinguística (RJ). O excesso de cuidado jamais deve invadir a privacidade do seu fi lho. “É claro que os pais precisam saber dos passos dos fi lhos, pois só assim se impõe limites. Mas isso não deve ser confundido com desrespeito à intimidade. Quanto mais se tenta controlar e dizer não, mais se desperta o olhar do fi lho para aquele ponto conflitante, dando importância ao que se deseja evitar”, avisa Maíra.

Questão de conquista
Todos nós temos direito a privacidade, mas também precisamos agir com responsabilidade. “Ela deve ser conquistada. A criança ou o adolescente têm que corresponder, ou seja, a cada caminho que ele percorre com responsabilidade, mais ganha o direito a ter liberdade. Por isso, os pais devem focar em ensiná-los a analisar o que estão fazendo. Simplesmente dizer ‘sim’ ou ‘não’ dificulta a conquista de compromisso”, ensina Marcelo Felippe, especialista em coaching (RJ) e autor do livro Transformando Pessoas (Semente Editorial). Além disso, pais superprotetores dificilmente criam filhos para o mundo. “Quando a criança excessivamente protegida se torna adulta acaba enfrentando várias dificuldades por não ter aprendido a se virar, a ser responsável, a se esforçar pelas coisas que quer”, complementa o expert.

Pare: é privativo!
Não é possível estabelecer uma datalimite para se começar a respeitar a privacidade dos filhos. No entanto, ela tem que acontecer de acordo com o amadurecimento dele. “Caso os pais não respeitem o espaço dos filhos, a tendência é eles ficarem dependentes em vários aspectos e desenvolverem um sentimento de revolta, especialmente na adolescência, quando passam a adquirir autonomia e percebem os pais extremamente invasivos”, alerta Sandra Langella, psicóloga clínica (SP). Lembre-se de que a adolescência é uma fase de experimentação e os jovens precisam vivenciar essa etapa. “Observe bastante o comportamento do seu filho, isso possibilitará identificar problemas e saber a melhor hora para intervir. Criando uma relação de confiança, o próprio fi lho procura os pais para conversar”, garante Marcelo.

SEM ULTRAPASSAR LIMITES
Ficar atento ao comportamento dos fi lhos é diferente de ser invasivo ou superprotetor. O ideal é orientar, instruir e dialogar para que eles possam, sozinhos, avaliar as situações e as adversidades da vida. Mas se no dia a dia surgirem conflitos que não podem ser negligenciados, veja a melhor forma de agir:

Na internet - Para as crianças até 12 anos, o ideal é que sejam estabelecidas algumas regras, como o horário de acesso, o tempo de permanência no computador e os sites permitidos. Faça parte das mesmas redes sociais que o seu fi lho, pois é uma forma de monitorar os interesses e amigos dele. Mas evite opinar sobre as publicações

No telefone - Se você tentar ouvir a conversa do seu fi lho, ou mexer escondida no celular dele, quebrará a sintonia entre vocês. Crie uma relação de confiança e respeito mútuo para nunca apelar para esse tipo de comportamento. “Sempre que quiser saber com quem ele está conversando, seja clara e direta, mantendo um tom amigável”, alerta Lucas Rezende, psicólogo (RJ).

Com amigos - Conhecer as amizades do seu fi lho é importante para saber com qual grupo ele se familiariza. “Incentive a criança ou o adolescente a convidar os amigos para brincar, assistir a filmes, jogar ou lanchar na sua casa. Assim, você terá a oportunidade de prestar atenção no comportamento deles e identificar melhor a personalidade do seu fi lho. Caso julgue que algum dos amigos apresenta comportamento inadequado, tente conversar sobre isso, sem proibir de cara o contato, para evitar encontros às escondidas”, avisa Sandra.

No e-mail - “Ler as mensagens do filho, mesmo que a página esteja ali escancarada, na sua frente, não é uma atitude legal. Não tem a ver com controle, e sim com respeito”, diz Marcelo.  “O desenvolvimento cognitivo do jovem depende também de um ambiente rico em exemplos de maturidade e autocontrole. Não funciona falar sobre boas maneiras e, na prática, dar o exemplo contrário. Na incoerência prevalece, sempre, o que os pais fazem, e não o que dizem”, conclui Lucas.

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