Máxima
Facebook MáximaTwitter MáximaInstagram MáximaGoogle News Máxima
Comportamento » Humor

Como Lorrane Silva se tornou um dos pilares do humor na internet

Provavelmente, você já viu alguns vídeos da Pequena Lo, mas chegou a hora de conhecê-la um pouco melhor

Bruna Goularte Publicado em 25/08/2020, às 15h28

Como Lorrane Silva se tornou um dos pilares do humor na internet
Como Lorrane Silva se tornou um dos pilares do humor na internet - Reprodução/ Instagram

Um celular, uma conta na rede social e umas pitadas de humor. Parece uma receita fácil virar um criador de conteúdo, né? Só que a realidade não é bem assim. 

Ainda mais quando veio uma pandemia e influenciadores tiveram que se reinventar na busca por um espaço em meio à tantos outros. 

Entretanto, alguns rostos ficaram mais conhecidos, justamente, neste momento. É o caso de Lorrane Silva. Tudo bem não reconhecê-la pelo nome completo, mas, provavelmente, você já viu alguns vídeos da Pequena Lo, seu nome de seu usuário nas redes sociais, por aí.

Nas últimas semanas, ela viu seu perfil bombar - em especial o Twitter, Instagram e Tik Tok. São mais de 600 mil seguidores no Insta e mais de 1 milhão na conta da TikToker. Ela, que produz conteúdos de humor desde 2015, teve uma guinada com o isolamento.

Afinal, quem é a nova sensação da internet? Em entrevista para a Máxima Digital, a Pequena Lo mostrou que tem muito a dizer.

A mineira, de 24 anos, invadiu a web com o seu perfil bem-humorado. Ela nasceu em Araxá, Minas Gerais, e, atualmente, mora em Uberaba, no estado montanhês. Os números e memes impressionam mesmo, mas foi a sua história de vida que trouxe Lorrane para o mundo digital.

Quando era pequena teve que ser levada ao hospital em Belo Horizonte, capital do seu estado, por conta de alguns problemas na perna. Desde então, Lorrane teve que ser operada diversas vezes, quando tinha entre 7 e 11 anos. Contudo, ela que se locomovia normalmente, não conseguiu voltar a andar após o procedimentos.

Hoje, ela usa muletas ou sua famosa motinha para se locomover - ambas aparecem nos vídeos. Além disso, isso decorre de uma síndrome, que ocasionou problemas os ósseos e membros curtos, mas ainda é desconhecida. E você pensa que isso a impediu de alguma coisa? Não mesmo.

Com o incentivo de um primo publicitário, em 2015,  surgiu a ideia  de criar um canal no YouTube para falar sobre preconceito e histórias da sua vida, mas sem deixar o humor, porque era algo dela: “Sempre gostei do humor desde que eu era criança, porque o meu pai sempre gostou de fazer piadas nos churrascos de família, então eu cresci vendo isso e já tinha no meu sangue. Gostava de encenar e contar histórias engraçadas".

E os passos de Lorrane no começo era em um local com poucas pessoas como ela: “Claro que no começo teria um tabu porque as pessoas não estão acostumadas. Hoje em dia, vejo a representatividade de muitas pessoas levarem o PCD - pessoas com deficiência - na internet, mas quando eu comecei não era tanto".

Depois do YouTube veio o Instagram, no qual seus vídeos fizeram sucesso e ela passou a gravar semanalmente. O TikTok veio no início da quarentena. Lorrane é grupo de risco por ser asmática e cumpre o isolamento em sua casa.

Ela afirmou que não esperava uma repercussão deste tamanho. Mas, os virais, seus formatos preferidos, não deixam mentir que ela é um sucesso. Muito do que explica Lo ser a sensação é o jeito dos vídeos.

Eles são gravados de forma caseira e o reconhecimento com o público é quase que instantâneo. E o trabalho como criadora de conteúdo é bem feito: "Vejo vários memes que o pessoal faz e dou o meu toque individual. Então, eu gosto de dublar, gosto de encenar. Às vezes pego um exemplo de vídeo e faço do meu jeito. Procuro o que está na internet. Vivo pesquisando memes ou assuntos que estão em alta para fazer em cima daquilo ali. É pesquisa todo dia. A gente não para imaginar qual conteúdo vai criar".

Se você pensa que apenas o público se identifica com os memes, está enganado. Lorrane une algo que aconteceu em alguma fase da minha vida e pensa em cenas relacionada ao tema para então transformar em vídeo.

A quarentena só aflorou o seu processo de criação."Eu comecei a me dedicar mais ao vídeos, porque era o que tinha e tinha que montar em cima disso. Eu pretendo manter esses vídeos caseiros - claro que em outros lugares também - mas sempre com identificação que é o ponto", analisou.

As caras, bocas e gestuais são características que são marcadas por suas expressões. "Eu sempre fui muito de externar e ser muito expressiva. Se eu não gosto de alguma coisa, já tá na minha cara mostra. É igual nos vídeos. Eu sou daquele jeito ali", contou.

E não podemos negar que está dando certo. Sua conta no Instagram já bateu 600 mil seguidores e Lorrane já pensa em números maiores - com cautela, é claro. "Penso no 1 milhão, mas, ao mesmo tempo, eu fico assim: ‘meu Deus’. Eu não tenho noção da proporção que meus vídeos estão tomando e o que é um milhão, porque pra mim isso estava muito distante. Eu estou trabalhando para ser reconhecida já tem anos, mas tinha aquilo longe.  Foi um estouro muito rápido. Estou muito feliz, muito anestesiada", disse.

Ela também explicou sobre o reconhecimento fora da internet: “Na minha cidade eu já era conhecida, porém esse reconhecimento não era tanto assim de famosos, pessoas aqui e fora do Brasil. Eu gosto muito desse carinho que eu recebo, só mensagens positivas. Quando eu comecei, passei por alguns comentários desnecessários, mas é como eu disse: eles não estavam acostumados, ainda era um tabu. Hoje em dia já me olham com outros olhos. É pelo meu conteúdo e não por quem, porque uso muleta”.

Outro ponto da Pequena Lo é ir além dos limites do humor. Ela foi convidada para participar do challenge 'Viva A Diferença' que reuniu mulheres com deficiência se maquiando. 

“Às vezes as pessoas acham que por sermos deficientes, a gente não tem que se aceitar. A importância daquele vídeo é gostar de como você é. Mostrar que nós nos preocupamos com o corpo, beleza, cabelo maquiagem. Que nós somos, apesar de ser diferentes, também temos o mesmo jeito de viver a vida como se fossem pessoas sem nenhuma limitação. Eu trouxe a representatividade”, reforçando a importância do vídeo.

 

Lorrane destacou também a sua visão se estivesse do outro lado da tela. “Eu, se eu fosse o  público, olharia os vídeos como forma de aceitação e inspiração. A sociedade é tóxica, dependendo, elas criticam muito. Então, quando você se aceita como você é, o que as pessoas falam você não ta nem aí. Quero levar a representatividade e também que, mesmo com problemas que todo mundo tem, a gente tem que pegar aquilo de uma maneira que seja positiva. Seguir a vida em frente mesmo com as limitações”.

E completou: "É não se impedir pelo jeito de ser e mostrar para a galera que você é assim. Então, eles que lutem para te aceitar".

Outro fator que ela comentou foi sobre a sua liberdade e apoio familiar: "Meus pais eles tiveram a maior parte de tudo. Desde que eu era criança, nunca me deixaram ficar só em casa. Sempre me deixaram fazer o que eu queria. Nunca me impediram de ser quem eu sou. Tem muitos pais que deixam o filho em casa com medo dele sofrer preconceito. Os olhares das pessoas, porque tem muita gente que te olha". E, então, frisou:  “Olhavam com dó, curiosidade, olhar por olhar, tem muitos olhares".

Vivendo na internet há 5 anos, Lorrane precisou lidar com comentários desnecessários, como gosta de chamar e não negativos:"Comentários desnecessários, porque eu não pego como algo negativo. Na internet e estar atrás de um celular é fácil digitar. Pessoalmente ele não teria essa coragem, né? As pessoas têm medo. Eu falo desnecessário, porque não precisava daquilo".

Mas, ela afirmou que notou uma evolução nas mensagem e no público: "Já recebi mensagens de algumas pessoas que riram de mim no passado e pediram desculpas pela atitude. Elas falaram que na época não tinham o pensamento que tem hoje e agiram na emoção pra ser o engraçado e saiu de outra maneira".

Para ela, essa mudança é fundamental na evolução da sociedade e se sente feliz em ser vista como uma pessoa na luta por representatividade. "É quebrar o tabu. As pessoas estão acostumadas e é criação também. Ainda não tem essa mente aberta, porque agora que estão começando a aprender mais coisas. Não é culpa deles ao mesmo tempo. É falta de informação, às vezes. O deficiente é taxado como alguém que não consegue fazer nada, não consegue se locomover. Me conhecendo eles têm outra visão", falou.

Não pense que ela é apenas um humorista na internet. Lorrane se formou em psicologia em 2019. Profissão que a ajudou a lidar com haters, de elogios a ataques. Inclusive, sente que as duas áreas estão interligadas: "A psicologia me ajudou muito em me conhecer mais e também lidar com as pessoas. Se tem um comentário desnecessário, eu vou saber lidar. Eu tenho uma resposta".

"Eu sou assim e pronto. O meu melhor é estar assim e não em outro corpo. Sou uma pessoa que faz humor e não uma pessoa que anda de muleta ou uma pessoa pequena", revelou. 

Já sobre os planos para o futuro, Lorrane explicou que levar o humor e sua história para o público é o seu sonho mesmo.  Ela também tem muita vontade de atuar ou participar de programas de televisão e até mesmo projetos maiores, como transformar as suas palestras em stand-up. 

Nos resta aproveitar os vídeos e aguardar os próximos passos da Pequena Lo.

Confira alguns vídeos:

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 

QUEM? KKKKKKK . . #humor#comedia#memes

Uma publicação compartilhada por Lorrane Silva (@_pequenalo) em

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 

GATILHO GATILHO . . #humor#comedia

Uma publicação compartilhada por Lorrane Silva (@_pequenalo) em

 

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 

EU NAO IA AGUENTAR 🤣🤣 . . #humor#comedia

Uma publicação compartilhada por Lorrane Silva (@_pequenalo) em

 

 

 

 

ACOMPANHE AS NOVIDADES MAIS QUENTES DO MUNDO DOS FAMOSOS PELO INSTAGRAM TAMBÉM. CLIQUE AQUI