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Comportamento » Violência psicológica

Guia de como identificar e agir em casos de violência psicológica com Hana Khalil e a advogada Clara Phileto

Com exclusividade, a ativista e a advogada reuniram informações importantes sobre o assunto

Máxima Digital Publicado em 30/03/2021, às 16h27

Guia de como identificar e agir em casos de violência psicológica com Hana Khalil e a advogada Clara Phileto
Guia de como identificar e agir em casos de violência psicológica com Hana Khalil e a advogada Clara Phileto - Reprodução/ Instagram

As mulheres conquistaram muitos direitos civis ao longo da história, mas existem violências que ultrapassam as fronteiras da lei. São as chamadas violências psicológicas, que manipulam a mente e o comportamento das vítimas de inúmeras formas.

Muitas vezes, quando pensamos em violência, pensamos em situações que o físico é violentado, como socos, tapas, apertões, espancamento e entre outros.

Entretanto, a violência psicológica, como o nome sugere, consiste em abalar o psicológico de uma mulher, machucando, de alguma forma, o seu ser. Entre as ações comuns, estão a tentativa de controlar os atos, ameaçar, diminuir a autoestima, insultar, constranger, ridicularizar, explorar, manipular, distorcer fatos e humilhar a vítima.

Por causa da importância do assunto, a Máxima Digital, conversou com a a apresentadora e ativista Hana Khalil e a advogada Clara Phileto para tratar sobre a importância de discutir a violência psicológica, como identificar e agir nesses casos.

Segundo Hana, as mulheres são uma das principais vítimas desse tipo de violência por conta do preconceito de gênero, ainda persistente na cultura. “Educaram as mulheres a serem submissas e subordinadas a um homem: pai, irmão, namorado ou marido. A partir daí é muito mais provável que elas sofram a violência psicológica. É normal mulheres serem abusadas psicologicamente, e, ao questionarem o comportamento, serem desacreditadas, machucadas e às vezes, mortas”, descreve.

Diferente das agressões físicas, a violência psicológica é mais silenciosa e difícil de ser percebida, tanto pela própria vítima quanto pelas pessoas ao seu redor. Um fenômeno muito comum é o chamado gaslighting.

“O gaslighting acontece com a distorção de informações e manipulação do cérebro da vítima, que acredita estar errada e passa a se culpar pela situação. Ela não deixa marcas visíveis no corpo, mas pode traumatizar por anos”, reforça.

Hana faz questão de frisar que a violência psicológica pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento, seja ele amoroso, de amizade, familiar ou no ambiente de trabalho. É preciso muita paciência e cautela para identificar esses casos, pois, em algumas ocasiões, eles não são agressivos ou hostis. A violência psicológica pode ocorrer sem gritos, no meio de uma conversa casual.

“Você pode estar sendo abusada psicologicamente de uma maneira bem sutil. Pode aparentar ser uma preocupação, ou, às vezes, as expressões podem lembrar desprezo. Essa violência pode vir de qualquer pessoa que esteja tentando te manipular dos fatos com uma abordagem que te faça se sentir vulnerável e insuficiente. Faz com que a vítima duvide de si mesma, do que está sentindo e até mesmo do que é ou não real – surgindo então o estereótipo de ‘mulher louca’”, afirma.

Também não é tarefa simples ajudar alguém que está sofrendo violência psicológica. Contudo, o mais importante é alertar a vítima e aconselhar seu afastamento do agressor. “Ela talvez demore a reconhecer que o abusador é o acusado. Com a manipulação, a pessoa passa a pensar da maneira que o abusador quiser. Por essa razão, a parte mais importante é ajudar no reconhecimento da violência.”, acrescenta

Mas, como agir em casos de violência psicológica? 

De acordo com a advogada Clara Phileto, a denúncia é o primeiro passo para uma mulher se livrar deste tipo de violência. “É sempre muito complicado, pois a violência psicológica muitas vezes é perpetrada por um ente querido e isso torna a situação ainda mais delicada.

Ela indica as principais maneiras de denunciar esses casos formalmente.

“Temos o serviço do Disque Denúncia (180), que é gratuito. Pelo número, é possível fazer denúncias de diferentes tipos de violência contra a mulher, inclusive a psicológica. Temos também as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Nestes locais, a vítima poderá fazer um boletim de ocorrência contra o agressor e receber orientações”, ressalta.

Para levar o caso de violência psicológica à Justiça, em todos os atos processuais, sejam eles cíveis ou criminais, a mulher precisará de um advogado. “Se ela não tiver condições para custear estes serviços, será nomeado um defensor dativo pelo Poder Judiciário”, assegura a profissional.

Ela também destaca algumas leis criadas para proteger as mulheres vítimas desse tipo de violência: “Através de testemunhas, laudos psicológicos ou psiquiátricos, poderá ser detectado o abalo emocional na vítima. A saúde emocional, quando agredida, é lesão corporal. A Lei Maria da Penha também narra cinco espécies de violência doméstica: a física, patrimonial, sexual, moral e psicológica. Com isso, a violência psicológica é um crime de agressão tipificado no artigo 7º dessa Lei.”

Hana Khalil ainda pontua a importância do apoio psicológico, para que a violência não afete a vida das vítimas de forma permanente.

“Quando esse trauma não é tratado, ele pode se transformar em ansiedade, depressão, síndrome do pânico, além de vários outros distúrbios psicológicos que podem ser irreversíveis”, conta. “Eu já sofri violência psicológica em dois relacionamentos, que me causaram sequelas até hoje. Tenho bastante ansiedade gerada por esses casos de gaslighting”, confessa.

Ela defende a prática da terapia com um psicólogo especializado. “É preciso naturalizar a terapia e deixar o bloqueio de lado. É uma ação complexa, principalmente para pessoas que têm problema em pedir ajuda. Mas é essencial entender que a saúde mental é tão importante quanto a física”, acrescenta.

“Lógico que será ótimo se você conseguir desabafar com alguém próximo. Entretanto, a diferença entre conversar com um terapeuta e com um amigo é um abismo. O terapeuta estudou para organizar o seu pensamento, te enxerga de fora sem vínculos e te ajuda de forma imparcial. O espaço da consulta é essencial para a proteção das mulheres que sofrem deste tipo de abuso e para promover saúde mental”, finaliza.

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